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domingo, 20 de abril de 2008

AFASTEM-SE, DEIXEM PASSAR A PONTE




A terceira Travessia do Tejo (TTT) está aprovada pelo Governo e decidida a sua localização entre Chelas e Barreiro, como todos já sabemos desde 4 de Abril de 2008. E agora, o que vamos fazer com ela?

Na anterior postagem, embora não escondendo que defendia a proposta Beato-Montijo-Barreiro, que erradamente se diz ser da CIP, prescindi comentar a escolha do Governo com base na análise feita pelo LNEC, antes de conhecer o relatório desta instituição que reputo de mais competente no panorama da engenharia portuguesa para além de igualmente conceituada a nível internacional.

A 6 de Abril aguardava pelo programa “Prós e Contras” da RTP onde, no dia seguinte se iriam confrontar as duas opções, para me ajudar a perceber a proposta da RAVE, pouco divulgada, ao contrário da proposta da equipa do Prof. Viegas.

Fiquei desiludido com o erro grosseiro do que parece ser uma tentativa de manipulação das imagens que pretendiam mostrar o impacto visual da ponte Chelas-Barreiro mas, contudo, não me convenceram as imagens RAVE construídas com recurso a GPS, como foi sublinhado pelo seu autor, porque me parecem terem por defeito o que as primeiras terão por excesso.

Embora não seja desprezável nem pouco importante, é no entanto meu entender que, por muito forte que seja o impacto visual da solução escolhida nos acabaremos por habituar ao convívio com ela. Foi assim com a Ponte 25 de Abril, foi assim com as Torres das Amoreiras e com o Centro Cultural de Belém, foi assim com a Ponte Vasco da Gama e será assim com a Ponte Chelas-Barreiro.

Depois de ver o programa televisivo que não me convenceu, embora reconhecendo a fraca e apagada prestação da equipa do Prof. Viegas e dele próprio, contrastando com o à-vontade com que o Prof. António Reis explicou as diversas soluções estruturais que estavam a ser consideradas e até a forma como mostrou que será simples a construção da maior ponte atirantada do mundo, comecei a ler as 325 páginas do relatório do LNEC.

Fiquei baralhado, pois enquanto o relatório que decidiu a localização do aeroporto em Alcochete estava estruturado e tinha critérios claros, estabelecendo ponto a ponto uma comparação com base em elementos que eram perfeitamente mensuráveis e quantificáveis, este parece estar conduzido para dar razão aquela que fora a escolha do Governo.

Minimizou-se o impacto que a entrada diária de 30000 viaturas, no centro de Lisboa, irá produzir na rede viária da cidade, não obstante a proposta alternativa os fazer entrar no local por onde já entram poupando-se assim a necessidade de construção de novas infraestruturas e o pagamento de compensações, já solicitadas pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Esqueceram-se os estimados 60M€ para adaptação da Gare do Oriente e a necessidade de fazer aterros para ligar o terminal de contentores de Santa Apolónia ao terminal de cruzeiros e o prolongamento deste até à doca do Poço do Bispo, com um custo estimado de 159M€, que a RAVE diz ser menor mas não diz quanto.

O relatório do LNEC esquece também a necessidade de a solução Chelas-Barreiro, com tabuleiro rodoviário, obrigar a uma mais que provável indemnização da Lusoponte, baseada no volume de veículos que utilizar esta nova travessia, como já confirmou a Procuradoria-Geral da República.

Serão “apenas” mais uns milhões de euros a somar aos 1700M€ já assumidos.

Também fiquei desapontado quando o LNEC afirma que “em termos de operacionalidade e segurança das operações portuárias do porto de Lisboa, o corredor Beato-Montijo é preferível à ligação no corredor Chelas-Barreiro” e que as “restrições nas manobras de acostagem dos navios ao terminal de contentores de Santa Apolónia devidas à proximidade do vão da ponte e à passagem de navios que actualmente atracam a montante da (nova) ponte, devidas ao tirante de ar (altura do mastro ou ponto mais alto da embarcação), que ficará disponível (47 metros)”, mas apesar disso escolhe a solução Chelas-Barreiro.


Referindo-se ao Barreiro o LNEC escreve que “ficará totalmente inviabilizada a operacionalidade do terminal de líquidos do Barreiro por redução substancial do espaço de manobra que lhe é adjacente, dado que os pilares da ponte (Chelas-Barreiro) estarão no interior da bacia de manobra”, apontando como inevitável a sua deslocalização. Mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Com um tirante de ar de 25.8m, previsto para a Cala do Montijo, também o tráfego marítimo para esta cidade sofrerá grandes restrições, mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Fica também claro que a solução escolhida inviabiliza a utilização do Mar da Palha, zona onde o estuário do Tejo atinge a sua maior profundidade e onde actualmente, ainda, atracam navios de maior porte, mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Quando ouvi o Prof. Viegas, a 4 de Abril, referir-se a um certo “enviezamento” no capítulo do relatório do LNEC que abordava as consequências ambientais de cada uma das propostas em apreciação, pareceu-me tratar-se de falta de fair-play. Fiquei com ideia diferente quando li que, os lodos a dragar do leito do Tejo estavam fortemente contaminados, junto à margem esquerda do rio, e a sua deposição em terra se traduzia numa operação de “grande complexidade”.

Escreve o LNEC que os sedimentos na margem Sul apresentam níveis elevados de metais pesados, arsénio, mercúrio, chumbo e cádmio que os colocam na classe 4 e 5 dos graus de contaminação, precisamente aqueles que correspondem a solo contaminado e muito contaminado, respectivamente.

Solos com esta classificação não podem ser depositados no rio, têm obrigatoriamente que ser removidos e é precisamente esta operação que levanta grandes reservas aos ambientalistas e outros especialistas de preservação do ambiente.

Curiosa é então a conclusão a que o relatório chega quando, “para o corredor Beato-Montijo (a proposta Viegas) que não incluía informação sobre a qualidade dos sedimentos” e embora os dados recolhidos pelo LNEC indicassem a possibilidade de haver uma menor poluição neste corredor, o laboratório concluiu que por falta de dados, esta solução seria pior, até pelo volume de solos a dragar, considerando uma eventual solução em túnel que era apresentada como uma das possíveis hipóteses para efectuar a ligação Montijo-Barreiro, mas não a única. E por isto o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Faz-me lembrar o futebol português: em caso de dúvida marca-se penalty, principalmente se for a favor de um dos clubes grandes.

No Barreiro estamos todos contentes porque finalmente se “fez justiça” e a ponte que nos foi “roubada” em 1995, veio agora para a nossa cidade. Ficamos mais perto de Lisboa e isso é bom para o negócio, dizem alguns comerciantes. Em Alcochete e no Montijo têm opinião diferente e no primeiro caso até o Freeport luta pela sobrevivência. No Montijo o Forum com o mesmo nome é um sucesso mas os estabelecimentos comerciais fecham por toda a cidade e esta mancha urbana está mais dormitório que nunca.

Recentemente a Sr.ª Secretária de Estado dos Transportes anunciou que a nova Ponte Chelas-Barreiro vai ter portagens idênticas às que são cobradas na Ponte Vasco da Gama, de acordo com a recomendação do próprio LNEC. Assim sendo a classe 1 (carro ligeiro) pagará para chegar a Lisboa 2.25€ valor que não pode competir com os 1.30€ cobrados na Ponte 25 de Abril. Que competitividade traz esta decisão para o Barreiro?

A decisão está tomada e vai em frente, mas muita coisa foi propositadamente escondida e muita coisa foi trabalhada para parecer o que não é, estou em crer.

Por exemplo, como se pode aceitar que uma solução que se pretende tenha sido tão estudada, como todos ouvimos dizer (pelo menos desde 1995), e ainda não se saiba qual o traçado na Margem Sul? (Recordem-se as palavras do Presidente Carlos Humberto “A ponte Chelas-Barreiro andava a ser estudada há cerca de duas décadas, com muitos estudos, muitas análises, muitos especialistas a participarem e a construir a solução”)

Na margem Norte tudo está detalhado. Sabe-se que a nova travessia entra na capital nas antigas instalações da Manutenção Militar, com a amarração feita na Escola Secundária Afonso Domingues, em Chelas, que já recebeu confirmação do Ministério da Educação de que não vai abrir portas no próximo ano lectivo.

Sabe-se que até à Escola Afonso Domingues as componentes ferro e rodoviárias seguem juntas, separando-se aqui, com a segunda a seguir em direcção à Av. Santo Condestável e a primeira seguindo a actual linha ferroviária.

Relativamente ao Barreiro apenas se sabe que a ponte amarra nos terrenos do Quimiparque e a partir daqui a profusão de rumores constróem túneis, ora para os comboios ora para os carros, quando não para ambos. Dão origem à demolição de Escolas com número variável entre uma e três. Nos dias ímpares poupam o hipermercado Feira Nova e o Mestre Maco para nos dias pares demolirem os dois. Tanto se constróem estações ferroviárias onde antes haviam escolas como logo a seguir se opta pela sua construção nas instalações dos TCB e na sub-estação da EDP, no Bairro das Palmeiras.

Temos que admitir que para uma solução que está a ser estudada há tanto tempo existem muitas incertezas.

Outro dos elementos que tem vindo a público é a estimativa que prevê que a nova travessia desvie da Ponte 25 de Abril cerca de 15.000 veículos diários e igual número da Ponte Vasco da Gama.

Estas são as previsões de Duarte Silva, responsável da RAVE que, no entanto, não nos explica que mecanismo fará as pessoas preferirem pagar uma portagem de 2.25€, na nova ponte, contra a de 1.30€ que pagam na 25 de Abril.

Admitindo que este número tem uma base sólida vamos fazer alguns cálculos para percebermos como vai mudar a nossa cidade.

Duarte Silva diz-nos que 15.000 veículos irão procurar a Chelas-Barreiro em detrimento da 25 de Abril e que a estes se juntarão outros 15.000 da Vasco da Gama, representando 80% do tráfego diário da nova ponte. Por outros números, quando for inaugurada, pelo Barreiro circularão 37.500 veículos diariamente, para atravessarem o Tejo.

Matematicamente está correcto mas Duarte Silva faz outras contas e acredita que em 2014 existam 54.500 veículos a atravessar a nova ponte ... e a passar pelo Barreiro. (in Diário Económico Online – 08.04.08).

Outras contas faz ainda o LNEC, no seu relatório, com base no projecto analisado.

Segundo o LNEC, nas horas de ponta, serão desviados 31.3% de veículos da Ponte 25Abril e 53.4% da Ponte Vasco da Gama.

Sabendo que o número actual de veículos que atravessam a ponte 25 de Abril em hora de ponta atinge os 175.000 (correspondente a um nível de serviço de 159%), a acreditar nestes números então, junto ao Hospital do Barreiro, irão passar diariamente 54.775 veículos desviados da Ponte 25 de Abril e 20.000 veículos desviados da Ponte Vasco da Gama, o que dá a bonita soma de quase 75.000 carros. Quem se enganou nas contas?

Independentemente do número correcto parece-me, isso sim, que houve uma grande preocupação em justificar a necessidade de considerar a estrutura rodoviária na nova ponte.

Relativamente à ferrovia os números são outros. Em 2014 prevêem-se 20.000 passageiros no comboio da nova ponte contra os actuais 40.000 da 25 de Abril, que passarão a 46.500, em 2034, contra os 36.500 da via férrea da ponte Chelas-Barreiro.

Se estas projecções estiverem correctas pelo Barreiro passarão 20.000 pessoas, na estação multimodal, onde quer que ela se localize, para apanharem o comboio em direcção a Lisboa e entre 54.500 a 75.000 veículos pela portagem junto ao hospital.

Se analisarmos os números relativos a 2014, daqui a meia dúzia de anos, serão cerca de 75.000 a 100.000 pessoas que atravessarão o Tejo em direcção a Lisboa.

Que “espaço” fica para o desenvolvimento do Barreiro?
Que futuro esperar?

Talvez possamos responder a estas questões se recuperarmos as palavras do Presidente Carlos Humberto no dia 6 de Abril de 2008, no programa “Prós e Contras”, aquando da sua segunda intervenção, versando o impacto visual da nova ponte:
“Ficamos muito satisfeitos com estas solidariedades todas. É pena que estas solidariedades todas não se tivessem manifestado quando foi decidido encerrar as fábricas, quando foi decidido que a ponte não era no Barreiro, no tal corredor central, quando da decisão da ponte Vasco da Gama, porque levou a, consequentemente, a que o concelho do Barreiro tenha perdido 18.000 habitantes, que é o único concelho da AML a perder habitantes e no Barreiro o problema não é se tem boa vista ou se não tem boa vista para comprar as casas. O problema é que não há quem compre as casas porque não há emprego, porque não há desenvolvimento. E não há emprego, e não há desenvolvimento porque se tomaram opções erradas do ponto de vista nacional e do ponto de vista regional e, portanto, é preciso agora rectificar os erros cometidos no passado e, rectificar os erros cometidos no passado em defesa dos interesses nacionais, regionais, mas também locais do concelho do Barreiro é construir a ponte rodo-ferroviária no corredor que está determinado”.

Portanto, para Carlos Humberto basta ter a ponte para que haja desenvolvimento, emprego e os construtores civis possam vender as casas que estão vazias.

Teria sido esse o segredo do Concelho de Palmela que viu o seu PIB per capita aumentar 17.4% entre 2002 e 2007, com um crescimento anual médio de 2.9% ?

Onde é que Palmela tem a ponte? Onde é que eles a esconderam?

Meus Senhores, Senhoras minhas como sempre o que aqui foi escrito não foi inventado e pode ser confirmado, quer no próprio relatório do LNEC em:

http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/5F640CAC-CB87-4375-8C94-C0524223A6E6/0/TTT_LNEC.pdf

quer através de notícias da RTP, em:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=337395&tema=29

e da segunda intervenção de Carlos Humberto no Prós e Contras de 2008-04-07, na 3ª Parte do programa em:

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=20236

A localização da Ponte está decidida mas falta ver as implicações que esta decisão trará aos cidadãos do Barreiro, por isso voltaremos ao assunto na próxima postagem, palavra de


Captain Jack


PS - Uma palavra amiga para o TOYOTA USADOS que nos deu a sua atenção e o seu comentário. É uma perspectiva interessante em que não tínhamos pensado. É assim que se constróiem os melhores projectos, com a contribuição de todos.
Tudo depende, no entanto, das "unhas" que tivermos "para tocar guitarra" e da forma como a quisermos tocar, não é?
Um abraço.

sexta-feira, 21 de março de 2008

AS CARTAS MERECEM SEMPRE RESPOSTA

(principalmente quando não são anónimas)

É sempre com algum prazer que lemos os comentários que os nossos conterrâneos nos enviam para o blog. Esta atitude de comentar é, acima de tudo, salutar e indicativa do interesse que todos devemos alimentar face ao que, no dia-a-dia, se passa à nossa volta.

Devemos, pois, estimular esta participação mesmo quando ela critica as nossas atitudes e manifesta uma opinião contrária à nossa. Devemos, no entanto, corrigir conclusões e juízos que, erradamente, se produzam sobre as nossas pessoas ou as ideias que defendemos.

A última postagem, datada de 16 de Março 2008, suscitou alguns comentários (que podem ser lidos se seleccionarmos a opção para o efeito, por baixo do texto respectivo).

O primeiro comentário é, ao que parece, uma fiel e bem informada transcrição do discurso do Presidente Carlos Humberto, lido em 14 de Março no Mercado 1º de Maio, na jornada de luta “O Barreiro pela Ponte”, que reuniu 300 barreirenses. Este comentário chegou até nós a 18 de Março e está publicado, na íntegra, no Jornal do Barreiro, na sua edição de 21 de Março.

Está assim demonstrada a nossa importância como blog e a confiança que alguns barreirenses depositam em nós, uma vez que nos confiam, em primeira-mão, as notícias que publicam nos jornais locais. Aqui fica o nosso muito obrigado.

Outro comentário feito a 19 de Março, esse sim que merece a nossa reflexão, é de um militar que assina sob pseudónimo (Major droMedÁRIO Lino) e que a seguir transcrevemos.

Meu Major, desculpe que lhe abra o coração mas, com um nome desses ou o senhor seu padrinho gostava muito de Lawrence da Arábia ou o meu Major foi vítima de um lamentável erro de escrita do empregado do registo civil.

Leia-se o texto, atente-se na substância e no conhecimento subjacente às matérias versadas, para perceber como está informado o nosso Major:

Caro Capitão
Muito me admira a sua idolatria pelo Viegas.
O Barreiro já tem uma ponte em crédito. A PVG era para ser construída no Barreiro. Mas o Lobie do Betão e do Alcatrão foi mais forte. A Lusoponte e o seu Viegas ganharam.O país perdeu.

Não resolveu o problema dos congestionamentos na P25A. Não resolveu a ligação Norte-Sul (Prova: A construção da Ponte Benavente-Santarém para ligar a A1 com a A2).Não resolveu o problema das ligações ferroviárias. A Via Férrea implantada na P25A acrescenta +30m no tempo de viagem para Alentejo e Algarve.
Agora o "seu" Viegas esfalfa-se para conseguir que o Montijo ganhe +2 Pontes, uma Beato-Montijo só ferroviária, outra Montijo-Barreiro que tem dias, num dia é Ferroviária, no dia seguinte é Rodoviária. Mas, como a construção do NAL e da Base Logística do Poceirão gerarão mais tráfego, terá de ser construída + 1 travessia (Algés-Trafaria).
Isto é 3 Travessias em vez de 1.
Já começa a perceber o que faz correr o passarão do Viegas? É claro que os patrões facturarão muito mais em 3 travessias do que numa única travessia.
O Capitão é contribuinte?
Adivinhe então quem pagará as travessias Ferroviárias Beato-Montijo e Montijo-Barreiro?O Zé, claro! ou seja, o OGE.
Uma Ponte Integrada de Lisboa a Chelas será paga pelas Portagens (60 a 90% em 10 anos de exploração!Diga-me Capitão:
Você é mesmo Camarro? Ama o Barreiro. Então porquê esse ódio ao Barreiro?
Com a desindustrialização, com o desinvestimento provocadas pela descolonização e pela apressada adesão à CE, o Barreiro definha. Perde habitantes.
As Zonas antigas transformam-se em Cidades Fantasma.
Desertas.Como inverter a situação?
Promover a instalação de novas indústrias no Barreiro!
Certo!Mas quem será o estúpido que vem instalar indústrias no Barreiro se, para recolher matérias primas ou entregar produtos manufacturados terá de gastar +50 Km por viagem?

Olha Capitão:
Não sei se reparaste! A Linha Férrea para as Praias do Sado sai do Barreiro (Sul e Sueste) e passa no Lavradio. A Linha que leva o combóio até ao Alentejo e Algarve passa na Penalva.- Então porque é que o Viegas quer levar os combóios para o Montijo? Que não tem qualquer linha de Combóio? (O Ramal Montijo-Pinhal Novo morreu!)
E já imaginaste o que será o Montijo com a amarração de 3 Pontes? (PVG, Beato-Montijo e Barreiro-Monijo)!E aceites que se feche a Baía da Moita/Rosário com este labirinto de Pontes Transversais e Longitudinais?
Caro Capitão
Precisas ler mais. Para começar, recomendo que comeces pelo Projecto do Eng Silvino Pompeu dos Santos.
Que leias a argumentação da RAVE e da AML (PROTAL).
E precisas pensar mais no Barreiro.
Não te maço mais.
Saudações Castrenses do
TeuMajor droMedÁRIO Lino

19 de Março de 2008 07:19

Meu Major,
Confesso que o erro é meu e desde já lhe peço imensa desculpa.
As imagens que juntei ao texto de 16 de Março não permitem (devido à quantidade de informação de que dispõem) ser aumentadas para que se possa ver melhor o traçado proposto pelo grupo de trabalho do Prof. Viegas, caso contrário veria que não há “labirinto de Pontes Transversais e Longitudinais” frente à baía da Moita/Rosarinho.

Tão pouco a linha-férrea ligará ao Montijo (a não ser a de alta velocidade) mas sim ao Lavradio onde entronca na existente, que recupera a sua capacidade de ligação ao Sul do país, perdida para o Pinhal Novo.

Quanto ao pagamento da ponte Chelas-Barreiro com o dinheiro das portagens, em 10 anos de exploração, o meu Major lá saberá melhor que eu, esse aspecto, mas olhe que a PVG, menos extensa que esta tem um período de concessão bem maior e, dez anos volvidos após a sua abertura, ainda não está paga nem em metade e tem a facturar para ela a P25A.

Também não percebo como faz as contas aos 50Km de percurso quando actualmente Barreiro-Lisboa seja pela PVG ou pela P25A não atingem esta extensão e a opção “do Viegas”, como lhe chama, encurta-a em 13Km. Mas, mesmo que continuássemos tão longe como diz, estaremos sempre mais perto que a Espanha, para quem as distâncias não interessam quando nos inundam o mercado com os seus produtos, desde o peixe fresco à laranja, passando pela cerâmica, materiais de construção e outras manufacturas.

A distância, no mundo global em que vivemos, não é problema, mas 30 mil viaturas, diariamente, a passarem pelo Barreiro, em direcção a Lisboa, comboios a passarem pela cidade, sem parar, porque, meu Major, esqueceu-se de dizer que as actuais estações ferroviárias do Lavradio e do Barreiro-A e Barreiro-Mar vão desaparecer para dar lugar a uma única estação na várzea do Lavradio, junto ao Álvaro Velho (que vai ser demolido).

É aí que se fará a inserção dos comboios na linha do Alentejo e a praça da portagem da ponte Chelas-Barreiro será entre o estádio Alfredo da Silva e o campo do Galitos Futebol Clube. Que bom que deve ser, meu Major, ver as filas de trânsito e os engarrafamentos ao amanhecer, aspirar o aroma do dióxido de carbono … (se pertencer ao exército deve lembrar-lhe, vagamente, o cheirinho do Napalm, hein?!).

Para que não tenha dúvidas do que digo junto a planta do traçado das infraestruturas na margem Sul, que por acaso não pertence ao projecto do Prof. Pompeu dos Santos, (porque ele não fez nenhum projecto), mas ao seu relatório sobre a TTT intitulado “Plano Integrado para o Novo Aeroporto de Lisboa, Rede TGV e Terceira Travessia do Tejo”, datado de 19 de Novembro de 2007.

Aproveito para juntar também o perfil longitudinal estudado para a ponte em causa, com tabuleiro de 10metros de altura e a amarrar no Barreiro a cerca de 20metros acima da linha de água o que é suficiente para passarem botes de borracha dos fuzileiros mas inviabiliza a circulação de navios de carga ou de passageiros, no Mar da Palha. Claro que isso para si não é importante porque o meu Major não “alistou praça” na Marinha.

Para não ter dúvidas de que se tratam de imagens fidedignas juntei também a infografia que o “Sol” publicou na sua edição de hoje, onde se podem comparar traçados e perfis das pontes, as suas distâncias e os pontos de chegada ao Barreiro.

A ponte/túnel (mais provável a segunda hipótese, se bem que enormemente mais cara), não se impõe porque “a construção do NAL e da Base Logística do Poceirão gerarão mais tráfego”, mas antes porque a P25A já se encontra saturada, sendo a travessia mais barata, atrai mais utentes e a zona que serve é mais populosa e continua com tendência para crescer, uma vez que também é mais industrializada.

Com o Quimiparque a transformar-se na nova “centralidade do Barreiro, uma nova cidade” como diz o Presidente Carlos Humberto acerca do Plano de Reconversão deste território, parece-me que a tendência dificilmente se inverterá e continuaremos a ter “o Barreiro (que) definha. Perde habitantes. As Zonas antigas transformam-se em Cidades Fantasma. Desertas.”

Relativamente à criação de novas empresas ambas as soluções nos servem já que ambas consideram o aproveitamento das oficinas de manutenção do TGV no Barreiro.

Mas há um ponto, meu Major, em que convergimos na opinião. É quanto ao pagamento da nova Terceira Travessia do Tejo. Sem dúvida que será o Zé a pagar e isso é razão suficiente para que se pense muito bem antes de fazer qualquer opção e olhe que se olharmos só para isso a opção Barreiro-Montijo-Beato, ganha com 1M€ de avanço.

Independentemente de qual das soluções gostamos mais, por amarmos o Barreiro ou por o detestarmos como é, por querermos muito mudá-lo para melhor ou deixá-lo como está, por seguirmos um partido político ou por simplesmente não confiarmos em nenhum deles, seja qual for a razão, parece-me que devem ser os cidadãos a pensar pela sua cabeça e a propósito apetece-me recordar as palavras do “seu” Prof. Pompeu dos Santos, que deu a cara pelo aeroporto na margem sul:

Quando está em curso um estudo com vista à escolha definitiva da localização do Novo Aeroporto de Lisboa, seria um erro histórico não considerar nesse estudo aquela que se afigura como a melhor solução, e a que melhor serve os interesses do país. Quando os recursos são escassos, racionalidade (e rigor) é preciso. O interesse público assim o exige”.
(Extracto de um artigo publicado na “Transportes em Revista”, de Agosto de 2007)

O meu Major dá licença? (Gesto levando a mão à testa, com a palma ligeiramente virada para fora e barulho dos tacões das botas a bater um no outro. Meia volta e retiro-me)

Captain Jack

PS – A sua letra não me é estranha. O Meu Major não fez serviço no Afeganistão?
(Integrado no contingente português, claro.)