Mostrando postagens com marcador Margem Sul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Margem Sul. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O que vão "eles" fazer do nosso Rio?


No seguimento do longo processo de reconversão da área do Quimiparque, que ainda ninguém percebeu a quem interessa mais, se ao accionista (Estado, via Parpública) se à autarquia barreirense, que não hesita em apresentar-se em todo o lado como signatário principal do processo, deixando à empresa do Estado o prazer de pagar a “conta”, a APL foi “convidada” a dar a sua contribuição para o referido estudo.

Desde o início que ouvimos o Prof. Augusto Mateus defender ideias e propostas que envolviam o Rio e a sua margem, nomeadamente a alteração da localização da actual estação fluvial para o interior do Quimiparque.

O próprio Metro Sul do Tejo (MST) teria a sua estação no mesmo local, criando um interface ferro-fluvial. Em todo este processo a Nova Cidade do Barreiro seria rasgada por um ampla avenida, aproveitando o que hoje é a área ocupada pelo terrapleno da linha férrea do Alentejo.

Decorridos todos estes meses em que se multiplicaram as reuniões e se ampliou a equipa de trabalho, que engloba agora a Parque Expo além de diversos técnicos da Câmara Municipal do Barreiro e alguns quadros de topo da Quimiparque, começam a surgir propostas de diversas entidades a quem foram solicitados estudos de possíveis soluções para zonas que directamente lhes interessem.

É o caso da APL (Administração do Porto de Lisboa) que, tendo contratado a Consulmar, a Bruno Soares Arquitectos e a DHV, apresentou o Estudo de Soluções Portuárias para a Área de Jurisdição da APL no Barreiro, que se debruça especificamente sobre as zonas actualmente exploradas pela Atlanport e LBC-Tanquipor.

Este Estudo apresenta uma solução que prevê a criação de uma frente portuária que não só integra as actividades existentes como também propõe a criação de uma área logística multimodal de mercadorias.

No Estudo desenvolvido a pedido da APL, todas as soluções apontadas assentam no pressuposto de que a altura útil para navegação, imposta pela TTT (Terceira Travessia do Tejo), não será inferior a 26.5 metros, para permitir a passagem de barcaças que possam transportar a sucata actualmente descarregada no porto do Quimiparque para a Siderurgia Longos.

Pela primeira vez se admite, e mesmo assim de forma confidencial, o facto de o Rio Tejo perder a sua capacidade de navegabilidade para montante da TTT para barcos que não sejam de pequeno calado.

Mas o que marca este estudo, numa altura em que tanto se fala da “muralha” de contentores que a Liscont pretende erguer em Alcântara, não é a perda de navegabilidade do Rio Tejo mas antes a possibilidade, apresentada como “uma oportunidade única na região” e “cujas “potencialidades interessa avaliar”, de criar uma área logística associada ao Porto de Lisboa.

A APL apresenta três possíveis soluções, tendo todas em comum a criação de terminais fluviais de contentores e de parques logísticos industriais de médio porte. O que difere nas alternativas apresentadas é a solução encontrada, em cada uma delas, para as actividades da Atlanport e da LBC-Tanquipor.

Numa primeira hipótese a APL propõe a manutenção da Atlanport no mesmo local onde agora se encontra mas construindo em aterro, um terrapleno de 6 hectares com cais acostável de 380 metros, para descarga de granéis sólidos (fundo a 8.5 metros) e outro cais (fundo a 5 metros) para carga de granéis sólidos, em barcaças.

O cais da LBC Tanquipor é deslocalizado 850 metros para jusante, relativamente à sua actual localização, sendo nesta proposta constituído por uma série de duques d’Alba (espécie de poitas ou maciços de amarração), fundo a 10 metros e uma plataforma de condutas para carga e descarga de grainéis líquidos.
A segunda e terceiras alternativas apresentadas, têm o mesmo modelo. A Atlanport abandona as suas actuais instalações, passando a operar imediatamente a jusante da TTT, numa plataforma com 7.3 hectares, duas frentes acostáveis, respectivamente com 380 metros de extensão e fundo a 8.5m e uma outra com 270 metros de extensão, fundo a 5.0 metros.

Refere ainda o estudo que esta plataforma acostável está destinada à “descarga de granéis sólidos (fundamentalmente sucata)”. Esta sucata será descarregada directamente dos navios que acostam nos (dois) cais de 8.5m de fundo e tornados a carregar em barcaças, único barco possível de acostar no cais -5.0m ZH, para serem transportados à Siderurgia Longos.

A LBC Tanquipor terá um ponto de acostagem, 320 metros a poente do porto da Atlanport, sendo a descarga, fundamentalmente de combustíveis líquidos, conduzida às suas instalações através de um sistema de condutas com 1400 metros de extensão.


Teria sido este factor que motivou a preferência pela Alternativa 3, por parte da Câmara Municipal e Quimiparque. A Alternativa 3 difere da Alternativa 2 porque considera o porto da LBC Tanquipor, afastado cerca de 450 metros para Norte do da Atlanport.

Nesta Alternativa o terminal da LBC Tanquipor tem uma extensão de 80 metros e é completado com uma série de duques D’Alba, para amarração. A descarga de combustíveis está ligada aos reservatórios de armazenagem, em terra, por condutas submersas que passam por debaixo do tabuleiro da TTT .

“Qualquer uma destas alternativas obriga à relocalização da bacia de manobra do terminal da Tanquipor e à correcção ao traçado do canal de acesso, envolvendo um volume significativo de dragagens de instalação”. Para além desta conclusão o estudo diz ainda que “ O transporte fluvial, por barcaças, da sucata descarregada no novo terminal da Atlanport, para a Siderurgia, ficará essencialmente dependente da viabilidade de dragagem do canal da Siderurgia (em fase de estudo pela APL) e da reabilitação do cais aí existente (técnica e economicamente viável), assim como da garantia de que a ponte do MST, que liga o Seixal ao Barreiro, possuirá um tirante de ar suficiente para permitir a passagem de barcaças rebocadas”, (9 metros para embarcações com mastreação rebatível e 16 metros para mastro fixo).

Mas a proposta APL para o desenvolvimento estratégico do Barreiro vai mais longe ao criar a Área Logística Multimodal do Barreiro (na imagem, envolvendo a actual LBC Tanquipor), a instalar na área de jurisdição da APL que, diz, “deve assumir-se como uma plataforma logística multimodal articulada com o Porto de Lisboa”.

Para esta valência pretende-se “uma área constituída por várias tipologias funcionais, podendo integrar as indústrias pesadas já existentes, indústrias ligeiras e espaços empresariais de serviços, entre os quais empresas logísticas de valor acrescentado e de distribuição. Esta área terá a particular vantagem de possuir um cais para a recepção de contentores, assegurando assim o transporte/escoamento fluvial de contentores, entre margens e com origem/destino nos terminais de Alcântara e Santa Apolónia”.

O estudo a que tivemos acesso, indica como actividades possíveis para a Área Logística Multimodal do Barreiro:
- recepção e transporte de contentores entre modos (destinos inicial e final)
- parqueamento de contentores vazios
- manutenção, reparação e limpeza de contentores/equipamentos
- consolidação, fraccionamento e armazenagem de cargas
- depósito alfandegário
- centros de empresas
- associações do sector dos transportes
- empresas de prestação de serviços a outras empresas
- centro de saúde, bombeiros, polícia, empresas de segurança
- bancos, restauração, comércio, ginásios
- serviços administrativos e do Estado
- centros de comunicações
- sede da Empresa de Gestão da Área Logística Multimodal do Barreiro

O próprio estudo tece ainda considerações quanto ao modelo de gestão a considerar para a Área Logística Multimodal do Barreiro, a qual deverá ser assegurada por uma sociedade gestora de capitais públicos ou mistos (públicos e privados), da qual poderão fazer parte “a APL, a CMB, Quimiparque, Tanquipor, Atlanport, entre outros”.

Quanto aos impactes ambientais o próprio estudo considera haverem factores negativos bastante significativos durante a fase de construção da Área Logística Multimodal do Barreiro, nomeadamente com a possibilidade do aparecimento de metais pesados (arsénio e mercúrio) durante a dragagem do rio. Também a movimentação de máquinas e equipamentos durante a construção, se traduz no aumento de veículos em circulação, do ruído, dos materiais poluentes e das poeiras em suspensão no ar.

Durante a fase de exploração as dragagens frequentes, quer do canal de acesso à Siderurgia, quer dos restantes canais de navegação, bacias de rotação e de manobra, implicam a remoção e mexida de metais pesados que existem no leito do rio.

Também o nível de ruído poderá ser ligeiramente superior ao actualmente registado e a qualidade do ar poderá ressentir-se devido “à emissão de poluentes atmosféricos resultantes do acréscimo de tráfego automóvel pesado”. (...) “Neste sentido a implantação de uma área logística e multimodal poderá contribuir para um agravamento da situação actual (fortemente condicionada pala actividade industrial), facto que constituirá um impacte negativo, significativo e permanente, embora geograficamente localizado à zona prevista para a sua implementação”, refere o estudo- proposta.

Estas são as propostas da APL para a zona ribeirinha sobre a qual tem jurisdição.

Basicamente, qualquer que seja a proposta, continuaremos a ter a movimentação de sucatas na nossa cidade, e com esta proposta até em maior quantidade segundo parece. Deixaremos de ter os camiões a circular no IC21 mas, em contrapartida teremos barcaças no rio, a transportar essa mesma sucata até à Siderurgia.

Ao largo, a nossa vista sobre Lisboa passará a ter no campo de visão a descarga de combustíveis e, se estas propostas forem avante, teremos também na margem sul, a parte do negócio de trânsito e carga que não interessa a Lisboa.

A APL, como se viu, prepara-se para colocar no Quimiparque as actividades de reparação e conservação de contentores, com os inconvenientes que este tipo de actividade arrasta consigo, tendo escolhido para esse efeito dois locais, junto à zona de tancagem da LBC que, ao ser fisicamente cercado pela futura área logística do Barreiro, deixará de ter espaço para se expandir.

Certamente, quando esta proposta for tornada pública, estas as actividades serão apresentadas como geradoras de emprego e, provavelmente, até nos dirão que incorporarão as mais modernas tecnologias e empregarão técnicos qualificados (para carregar contentores em barcaças!).

Actualmente, as empresas instaladas no Quimiparque, não possuem mão-de-obra qualificada (esta é pelo menos a imagem que conhecemos) mas, o que a APL propõe, não trás valor acrescentado além de contribuir para o aumento da poluição do ar e do rio.

O transporte e movimentação de sucatas é responsável pela produção de nuvens de pó de materiais ferrosos que, se em grande quantidade, podem tornar-se um problema de saúde pública, poluindo o rio e a própria cidade.

Quanto à área logística, quem não se lembra do aspecto da zona do Poço do Bispo e do parque de contentores da Matinha, em Lisboa, antes da Expo 98? Esta é a paisagem que iremos ter nos terrenos contíguos à FISIPE e CPPE.

Mas esta proposta, a ser aceite, poderá ter também efeitos negativos para todo um conjunto de projectos com os quais nos vêm acenando há bastante tempo. Refiro-me à célebre Cidade do Cinema, à criação de uma zona ribeirinha dedicada ao lazer e a actividades lúdicas e à instalação de empresas de serviços e de novas tecnologias.

Que empresário quererá instalar a sua empresa com vista para um terminal de contentores ou para um cais de descarga de sucata, transportada em barcaças?

Parece-me que o autismo e incapacidade dos nossos autarcas, demasiado embevecidos pelo sonho megalómano de construir uma nova cidade nos terrenos do Quimiparque, pelos milhões de euros em taxas de construção e IMI que isso significa, nos está a conduzir para uma realidade bem pior que aquela que temos vivido nas últimas décadas da cidade.

Estamos a “navegar à vista”, sem uma estratégia definida e outro objectivo que não seja a criação de condições para favorecer a especulação imobiliária. Enquanto isto vamos assistindo a um estranho relacionamento de “amizade” entre a Quimiparque e a Câmara Municipal do Barreiro, com a primeira oferecendo terrenos e abrindo a bolsa para satisfazer os apetites da segunda.

Foi assim com a cedência de terrenos para se construírem os acessos ao Forum Barreiro, como já antes tinha sido com a cedência das instalações da antiga fábrica da SOTINCO/CIN à autarquia, com o projecto da Rotunda no Largo das Obras e será assim quando se partir em dois o parque empresarial em nome do acesso ao centro da cidade (entenda-se Forum Barreiro).

Mais uma vez caberá à Quimiparque o pagamento da factura para viabilizar o investimento na especulação imobiliária daqueles que promovem uma nova cidade assente em andares que ficam por vender e empregos que não se criam, mesmo que isso signifique o sacrifício das condições oferecidas às empresas instaladas.

Há que saber aproveitar a nova centralidade no arco ribeirinho sul, que o Presidente Carlos Humberto não se cansa de repetir que vamos ser. Mas nada ainda foi feito. Continuamos sem identidade nem ideias próprias, copiamos estereótipos e apostamos, para motor do desenvolvimento da cidade, em projectos imobiliários como o da Quinta das Cordoarias, ou o Forum Barreiro, como gerador de emprego.

Agora que já abriu portas, é tempo de perguntar onde estão os 3000 empregos apregoados para o Forum Barreiro (1000 directos e 2000 indirectos - inJornal do Barreirode 31 Outubro 2008)?

Minhas senhoras, meus senhores, estão a vender-nos ilusões em forma de ponte sobre o Rio Tejo, futuros risonhos com edifícios de luxo e lojas de marca a sortearem automóveis topo de gama, do mesmo modo que há 34 anos nos prometeram uma vida melhor.

É isto que queremos? É nisto que acreditamos? Temos razões para acreditar nestes profetas? É fundamental pensarmos pela nossa cabeça e expressarmos as nossas ideias e opiniões. Não podemos deixar-nos levar por políticos interessados em defender interesses que não são os nossos (eventualmente serão os deles).

Do Vosso Captain Jack


Nota para a nossa leitora do Porto:

Os edifícios do Largo das Obras foram adquiridos há cerca de 7 anos por uma empresa com sede em Gibraltar, integrados num lote de imóveis que foram vendidos em licitação pública.
Na altura um jornal nacional chegou a noticiar ter sido um negócio com contornos pouco claros, envolvendo conhecidas personalidades da cidade, alguns deles com responsabilidades políticas.
Nada ficou esclarecido.
Presentemente, apesar de ocupados por 3 ou 4 famílias, estão ao abandono.

domingo, 20 de abril de 2008

AFASTEM-SE, DEIXEM PASSAR A PONTE




A terceira Travessia do Tejo (TTT) está aprovada pelo Governo e decidida a sua localização entre Chelas e Barreiro, como todos já sabemos desde 4 de Abril de 2008. E agora, o que vamos fazer com ela?

Na anterior postagem, embora não escondendo que defendia a proposta Beato-Montijo-Barreiro, que erradamente se diz ser da CIP, prescindi comentar a escolha do Governo com base na análise feita pelo LNEC, antes de conhecer o relatório desta instituição que reputo de mais competente no panorama da engenharia portuguesa para além de igualmente conceituada a nível internacional.

A 6 de Abril aguardava pelo programa “Prós e Contras” da RTP onde, no dia seguinte se iriam confrontar as duas opções, para me ajudar a perceber a proposta da RAVE, pouco divulgada, ao contrário da proposta da equipa do Prof. Viegas.

Fiquei desiludido com o erro grosseiro do que parece ser uma tentativa de manipulação das imagens que pretendiam mostrar o impacto visual da ponte Chelas-Barreiro mas, contudo, não me convenceram as imagens RAVE construídas com recurso a GPS, como foi sublinhado pelo seu autor, porque me parecem terem por defeito o que as primeiras terão por excesso.

Embora não seja desprezável nem pouco importante, é no entanto meu entender que, por muito forte que seja o impacto visual da solução escolhida nos acabaremos por habituar ao convívio com ela. Foi assim com a Ponte 25 de Abril, foi assim com as Torres das Amoreiras e com o Centro Cultural de Belém, foi assim com a Ponte Vasco da Gama e será assim com a Ponte Chelas-Barreiro.

Depois de ver o programa televisivo que não me convenceu, embora reconhecendo a fraca e apagada prestação da equipa do Prof. Viegas e dele próprio, contrastando com o à-vontade com que o Prof. António Reis explicou as diversas soluções estruturais que estavam a ser consideradas e até a forma como mostrou que será simples a construção da maior ponte atirantada do mundo, comecei a ler as 325 páginas do relatório do LNEC.

Fiquei baralhado, pois enquanto o relatório que decidiu a localização do aeroporto em Alcochete estava estruturado e tinha critérios claros, estabelecendo ponto a ponto uma comparação com base em elementos que eram perfeitamente mensuráveis e quantificáveis, este parece estar conduzido para dar razão aquela que fora a escolha do Governo.

Minimizou-se o impacto que a entrada diária de 30000 viaturas, no centro de Lisboa, irá produzir na rede viária da cidade, não obstante a proposta alternativa os fazer entrar no local por onde já entram poupando-se assim a necessidade de construção de novas infraestruturas e o pagamento de compensações, já solicitadas pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Esqueceram-se os estimados 60M€ para adaptação da Gare do Oriente e a necessidade de fazer aterros para ligar o terminal de contentores de Santa Apolónia ao terminal de cruzeiros e o prolongamento deste até à doca do Poço do Bispo, com um custo estimado de 159M€, que a RAVE diz ser menor mas não diz quanto.

O relatório do LNEC esquece também a necessidade de a solução Chelas-Barreiro, com tabuleiro rodoviário, obrigar a uma mais que provável indemnização da Lusoponte, baseada no volume de veículos que utilizar esta nova travessia, como já confirmou a Procuradoria-Geral da República.

Serão “apenas” mais uns milhões de euros a somar aos 1700M€ já assumidos.

Também fiquei desapontado quando o LNEC afirma que “em termos de operacionalidade e segurança das operações portuárias do porto de Lisboa, o corredor Beato-Montijo é preferível à ligação no corredor Chelas-Barreiro” e que as “restrições nas manobras de acostagem dos navios ao terminal de contentores de Santa Apolónia devidas à proximidade do vão da ponte e à passagem de navios que actualmente atracam a montante da (nova) ponte, devidas ao tirante de ar (altura do mastro ou ponto mais alto da embarcação), que ficará disponível (47 metros)”, mas apesar disso escolhe a solução Chelas-Barreiro.


Referindo-se ao Barreiro o LNEC escreve que “ficará totalmente inviabilizada a operacionalidade do terminal de líquidos do Barreiro por redução substancial do espaço de manobra que lhe é adjacente, dado que os pilares da ponte (Chelas-Barreiro) estarão no interior da bacia de manobra”, apontando como inevitável a sua deslocalização. Mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Com um tirante de ar de 25.8m, previsto para a Cala do Montijo, também o tráfego marítimo para esta cidade sofrerá grandes restrições, mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Fica também claro que a solução escolhida inviabiliza a utilização do Mar da Palha, zona onde o estuário do Tejo atinge a sua maior profundidade e onde actualmente, ainda, atracam navios de maior porte, mas o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Quando ouvi o Prof. Viegas, a 4 de Abril, referir-se a um certo “enviezamento” no capítulo do relatório do LNEC que abordava as consequências ambientais de cada uma das propostas em apreciação, pareceu-me tratar-se de falta de fair-play. Fiquei com ideia diferente quando li que, os lodos a dragar do leito do Tejo estavam fortemente contaminados, junto à margem esquerda do rio, e a sua deposição em terra se traduzia numa operação de “grande complexidade”.

Escreve o LNEC que os sedimentos na margem Sul apresentam níveis elevados de metais pesados, arsénio, mercúrio, chumbo e cádmio que os colocam na classe 4 e 5 dos graus de contaminação, precisamente aqueles que correspondem a solo contaminado e muito contaminado, respectivamente.

Solos com esta classificação não podem ser depositados no rio, têm obrigatoriamente que ser removidos e é precisamente esta operação que levanta grandes reservas aos ambientalistas e outros especialistas de preservação do ambiente.

Curiosa é então a conclusão a que o relatório chega quando, “para o corredor Beato-Montijo (a proposta Viegas) que não incluía informação sobre a qualidade dos sedimentos” e embora os dados recolhidos pelo LNEC indicassem a possibilidade de haver uma menor poluição neste corredor, o laboratório concluiu que por falta de dados, esta solução seria pior, até pelo volume de solos a dragar, considerando uma eventual solução em túnel que era apresentada como uma das possíveis hipóteses para efectuar a ligação Montijo-Barreiro, mas não a única. E por isto o LNEC escolhe a solução Chelas-Barreiro.

Faz-me lembrar o futebol português: em caso de dúvida marca-se penalty, principalmente se for a favor de um dos clubes grandes.

No Barreiro estamos todos contentes porque finalmente se “fez justiça” e a ponte que nos foi “roubada” em 1995, veio agora para a nossa cidade. Ficamos mais perto de Lisboa e isso é bom para o negócio, dizem alguns comerciantes. Em Alcochete e no Montijo têm opinião diferente e no primeiro caso até o Freeport luta pela sobrevivência. No Montijo o Forum com o mesmo nome é um sucesso mas os estabelecimentos comerciais fecham por toda a cidade e esta mancha urbana está mais dormitório que nunca.

Recentemente a Sr.ª Secretária de Estado dos Transportes anunciou que a nova Ponte Chelas-Barreiro vai ter portagens idênticas às que são cobradas na Ponte Vasco da Gama, de acordo com a recomendação do próprio LNEC. Assim sendo a classe 1 (carro ligeiro) pagará para chegar a Lisboa 2.25€ valor que não pode competir com os 1.30€ cobrados na Ponte 25 de Abril. Que competitividade traz esta decisão para o Barreiro?

A decisão está tomada e vai em frente, mas muita coisa foi propositadamente escondida e muita coisa foi trabalhada para parecer o que não é, estou em crer.

Por exemplo, como se pode aceitar que uma solução que se pretende tenha sido tão estudada, como todos ouvimos dizer (pelo menos desde 1995), e ainda não se saiba qual o traçado na Margem Sul? (Recordem-se as palavras do Presidente Carlos Humberto “A ponte Chelas-Barreiro andava a ser estudada há cerca de duas décadas, com muitos estudos, muitas análises, muitos especialistas a participarem e a construir a solução”)

Na margem Norte tudo está detalhado. Sabe-se que a nova travessia entra na capital nas antigas instalações da Manutenção Militar, com a amarração feita na Escola Secundária Afonso Domingues, em Chelas, que já recebeu confirmação do Ministério da Educação de que não vai abrir portas no próximo ano lectivo.

Sabe-se que até à Escola Afonso Domingues as componentes ferro e rodoviárias seguem juntas, separando-se aqui, com a segunda a seguir em direcção à Av. Santo Condestável e a primeira seguindo a actual linha ferroviária.

Relativamente ao Barreiro apenas se sabe que a ponte amarra nos terrenos do Quimiparque e a partir daqui a profusão de rumores constróem túneis, ora para os comboios ora para os carros, quando não para ambos. Dão origem à demolição de Escolas com número variável entre uma e três. Nos dias ímpares poupam o hipermercado Feira Nova e o Mestre Maco para nos dias pares demolirem os dois. Tanto se constróem estações ferroviárias onde antes haviam escolas como logo a seguir se opta pela sua construção nas instalações dos TCB e na sub-estação da EDP, no Bairro das Palmeiras.

Temos que admitir que para uma solução que está a ser estudada há tanto tempo existem muitas incertezas.

Outro dos elementos que tem vindo a público é a estimativa que prevê que a nova travessia desvie da Ponte 25 de Abril cerca de 15.000 veículos diários e igual número da Ponte Vasco da Gama.

Estas são as previsões de Duarte Silva, responsável da RAVE que, no entanto, não nos explica que mecanismo fará as pessoas preferirem pagar uma portagem de 2.25€, na nova ponte, contra a de 1.30€ que pagam na 25 de Abril.

Admitindo que este número tem uma base sólida vamos fazer alguns cálculos para percebermos como vai mudar a nossa cidade.

Duarte Silva diz-nos que 15.000 veículos irão procurar a Chelas-Barreiro em detrimento da 25 de Abril e que a estes se juntarão outros 15.000 da Vasco da Gama, representando 80% do tráfego diário da nova ponte. Por outros números, quando for inaugurada, pelo Barreiro circularão 37.500 veículos diariamente, para atravessarem o Tejo.

Matematicamente está correcto mas Duarte Silva faz outras contas e acredita que em 2014 existam 54.500 veículos a atravessar a nova ponte ... e a passar pelo Barreiro. (in Diário Económico Online – 08.04.08).

Outras contas faz ainda o LNEC, no seu relatório, com base no projecto analisado.

Segundo o LNEC, nas horas de ponta, serão desviados 31.3% de veículos da Ponte 25Abril e 53.4% da Ponte Vasco da Gama.

Sabendo que o número actual de veículos que atravessam a ponte 25 de Abril em hora de ponta atinge os 175.000 (correspondente a um nível de serviço de 159%), a acreditar nestes números então, junto ao Hospital do Barreiro, irão passar diariamente 54.775 veículos desviados da Ponte 25 de Abril e 20.000 veículos desviados da Ponte Vasco da Gama, o que dá a bonita soma de quase 75.000 carros. Quem se enganou nas contas?

Independentemente do número correcto parece-me, isso sim, que houve uma grande preocupação em justificar a necessidade de considerar a estrutura rodoviária na nova ponte.

Relativamente à ferrovia os números são outros. Em 2014 prevêem-se 20.000 passageiros no comboio da nova ponte contra os actuais 40.000 da 25 de Abril, que passarão a 46.500, em 2034, contra os 36.500 da via férrea da ponte Chelas-Barreiro.

Se estas projecções estiverem correctas pelo Barreiro passarão 20.000 pessoas, na estação multimodal, onde quer que ela se localize, para apanharem o comboio em direcção a Lisboa e entre 54.500 a 75.000 veículos pela portagem junto ao hospital.

Se analisarmos os números relativos a 2014, daqui a meia dúzia de anos, serão cerca de 75.000 a 100.000 pessoas que atravessarão o Tejo em direcção a Lisboa.

Que “espaço” fica para o desenvolvimento do Barreiro?
Que futuro esperar?

Talvez possamos responder a estas questões se recuperarmos as palavras do Presidente Carlos Humberto no dia 6 de Abril de 2008, no programa “Prós e Contras”, aquando da sua segunda intervenção, versando o impacto visual da nova ponte:
“Ficamos muito satisfeitos com estas solidariedades todas. É pena que estas solidariedades todas não se tivessem manifestado quando foi decidido encerrar as fábricas, quando foi decidido que a ponte não era no Barreiro, no tal corredor central, quando da decisão da ponte Vasco da Gama, porque levou a, consequentemente, a que o concelho do Barreiro tenha perdido 18.000 habitantes, que é o único concelho da AML a perder habitantes e no Barreiro o problema não é se tem boa vista ou se não tem boa vista para comprar as casas. O problema é que não há quem compre as casas porque não há emprego, porque não há desenvolvimento. E não há emprego, e não há desenvolvimento porque se tomaram opções erradas do ponto de vista nacional e do ponto de vista regional e, portanto, é preciso agora rectificar os erros cometidos no passado e, rectificar os erros cometidos no passado em defesa dos interesses nacionais, regionais, mas também locais do concelho do Barreiro é construir a ponte rodo-ferroviária no corredor que está determinado”.

Portanto, para Carlos Humberto basta ter a ponte para que haja desenvolvimento, emprego e os construtores civis possam vender as casas que estão vazias.

Teria sido esse o segredo do Concelho de Palmela que viu o seu PIB per capita aumentar 17.4% entre 2002 e 2007, com um crescimento anual médio de 2.9% ?

Onde é que Palmela tem a ponte? Onde é que eles a esconderam?

Meus Senhores, Senhoras minhas como sempre o que aqui foi escrito não foi inventado e pode ser confirmado, quer no próprio relatório do LNEC em:

http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/5F640CAC-CB87-4375-8C94-C0524223A6E6/0/TTT_LNEC.pdf

quer através de notícias da RTP, em:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=337395&tema=29

e da segunda intervenção de Carlos Humberto no Prós e Contras de 2008-04-07, na 3ª Parte do programa em:

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=20236

A localização da Ponte está decidida mas falta ver as implicações que esta decisão trará aos cidadãos do Barreiro, por isso voltaremos ao assunto na próxima postagem, palavra de


Captain Jack


PS - Uma palavra amiga para o TOYOTA USADOS que nos deu a sua atenção e o seu comentário. É uma perspectiva interessante em que não tínhamos pensado. É assim que se constróiem os melhores projectos, com a contribuição de todos.
Tudo depende, no entanto, das "unhas" que tivermos "para tocar guitarra" e da forma como a quisermos tocar, não é?
Um abraço.

domingo, 2 de março de 2008

O EUROMILHÕES SAIU Á QUIMIPARQUE

(ele há dias de sorte …!)

Hoje, ao escrever estas linhas, invade-me um sentimento de tristeza e de receio pelo futuro dos meus filhos.

Hoje, 20 de Fevereiro de 2007, acabei de receber a notícia de que, há pouco menos de 2 horas, a Câmara Municipal do Barreiro, aquela que foi eleita por todos nós num processo de votação democrático, aprovou o “Estudo de Desenvolvimento Económico, Empresarial e Urbanístico para o Território da QUIMIPARQUE e Envolvente”.

Apetece perguntar se estavam mandatados para isso e se esclareceram suficientemente a população ou se receberam deles a prova inequívoca de que o deveriam fazer. Apetece perguntar se a participação dos munícipes, nas várias sessões que fizeram durante o suposto período de consulta pública, foi representativa dos 70000 habitantes do concelho do Barreiro.

Apetece ainda perguntar onde, a não ser no site da Quimiparque – Parques Empresariais SA, a população tinha acesso ao estudo elaborado, uma vez que não há nenhum link no site da Câmara Municipal do Barreiro. Não era/é suposto/conveniente/obrigatório/necessário haver?

A aprovação do Estudo foi, no entender do Presidente da Câmara do Barreiro, “um passo de gigante na estratégia para o desenvolvimento do futuro do Barreiro”.

Continuo a pensar que o Sr. Carlos Humberto, com quem já tive oportunidade de conversar várias vezes, é uma pessoa honesta e que gosta do Barreiro tanto ou mais que eu. Acredito mesmo que se tenha debatido entre, fazer a vontade ao coração ou aos seus ideais políticos. Ganharam os ideais políticos que viram nas taxas para construção a oportunidade de ajudar as finanças da autarquia e indirectamente as finanças do Partido.

Criado no Barreiro, Carlos Humberto, conheceu bem a cidade nos seus anos de ouro, quando os concelhos de Palmela, Seixal, Moita e Montijo, ainda sem cinemas e piscinas, olhavam com inveja esta vila onde a CUF e a CP davam trabalho, ajudavam a construir escolas, mantinham dois clubes de futebol na primeira divisão do campeonato, e onde havia um tanque de natação que na altura, como ainda hoje, a ele nos referíamos como “Piscina Municipal”.

Carlos Humberto ainda se recorda, certamente como esta cidade possuía dezenas de colectividades com uma actividade cultural e recreativa intensa, como chegavam à estação do Barreiro Mar, gente de todos os lados do país atraídos pela prosperidade das fábricas e do comércio local, acompanhados pelo sonho de poderem ser funcionários da CUF, da Lisnave ou da Siderurgia.

Carlos Humberto não se deve ter esquecido destes tempos em que a CUF deu terrenos e materiais para construir escolas, bairros de habitação social e até estádios de futebol, (um dos quais está agora a ser demolido para dar lugar a edifícios!).

Foi no Barreiro que se fez o ensaio para construir o Hospital da CUF, que ainda hoje existe e é referência, não só no país mas também no estrangeiro.

E duvido que Carlos Humberto não saiba que, por vontade de Alfredo da Silva, a CUF instituiu um complemento de reforma vitalício para os velhos funcionários da empresa que hoje, quase setenta anos volvidos sobre a sua morte, os seus trinetos ainda o mantém, respeitando-lhe a vontade.

Duvido, mesmo, que Carlos Humberto não saiba mais sobre Alfredo da Silva, a CUF e a importância desta para o Barreiro e para a sua população que a actual Administração da Quimiparque.

Carlos Humberto é do Barreiro, é barreirense. A Administração da Quimiparque não pertence ao Barreiro e só cá deverá ter vindo para conhecer o local para onde foram nomeados administradores e continuam a vir porque ainda desempenham essas funções. Acredito que, da mesma forma, aceitarão ir para Freixo de Espada à Cinta se para lá forem nomeados como administradores de outra qualquer empresa do Estado.

Por isso, como gestores públicos que são, funcionários do Estado às ordens da Parpública, o accionista da Quimiparque, não admira que tenham, nestes últimos cinco anos, feito o possível por atingir os objectivos que lhes foram impostos:

Promover as condições necessárias à valorização do património imobiliário da sociedade, designadamente através da dinamização dos processos de aprovação por parte das entidades públicas competentes dos instrumentos de ordenamento do território, e da concretização de acções de requalificação ambiental.

Preparar a reestruturação da empresa visando a segregação dos negócios de gestão do parque empresarial e de promoção e desenvolvimento imobiliário.

Consolidar a situação financeira da empresa através de racionalização dos custos e do crescimento dos resultados dos negócios, potenciando o seu contributo para o objectivo de criação de valor para o accionista.”
www.parpublica.pt/docs/Ojectvigestaoemprcontrolada.pdf

A administração da Quimiparque SA cumpriu o seu dever. Será recompensada pelo accionista, certamente – os BMW’s passarão a ser de modelo superior, os vencimentos maiores e o plafond do cartão de crédito será reforçado – mas o Barreiro ficará mais pobre e mais cidade dormitório do que nunca, com a aprovação deste “Estudo de Desenvolvimento Económico, Empresarial e Urbanístico para o Território da QUIMIPARQUE e Envolvente”..

Por isso não percebo como pode Carlos Humberto, por um lado preocupar-se com o futuro dos 294 funcionários da AP – Amoníacos de Portugal, SA e, por outro, regozijar-se com a criação de condições para que o Quimiparque possa ser dividido, retalhado, destinando mais de metade do seu território à especulação imobiliária (também está prevista habitação para a zona B), sem pensar que isso afecta 4000 postos de trabalho.

Sr. Presidente como pode o estudo aprovado “favorecer a instalação de novas actividades económicas modernas que aproveitem a vocação e a mão-de-obra industrial do Barreiro” se em quase metade do território se propõe autorizar construção para habitação? Onde estão, neste tipo de ocupação, as actividades económicas modernas e o aproveitamento da mão-de-obra industrial do Barreiro?

Como se pode dizer – desculpe o termo Sr. Presidente – uma “patacoada” destas quando o território a destinar para construção de habitação é exactamente aquele onde estão instalados clientes do Quimiparque tão importantes como a Sovena, a Tecnibus, a Wartsila Portugal, a Anglex, ou a Flexipiso?

O Sr. Presidente Carlos Humberto certamente sabe o que são estas empresas mas, para aqueles que nos lêem, deixem-me, muito rapidamente, esclarecê-los:
A Sovena produz entre outros produtos o conhecido Óleo Fula e o azeite Oliveira da Serra.

A Tecnibus é um importante reparador nacional de veículos pesados de transporte de passageiros, responsável, entre outras, pelo restauro e reparação de alguns autocarros da frota dos TCB.

A Wartsila Portugal, faz parte da importante Wartsila Corporation uma empresa finlandesa que equipa, com motores, um em cada dois navios que cruzam os mares do mundo inteiro.

A Anglex, é uma empresa que exporta para todo o mundo os anzóis que produz nas instalações do Barreiro e que equipam as mais importantes frotas pesqueiras desde Espanha ao Japão.

A Flexipiso produz, em exclusivo, os conhecidos pisos anti-impacto que equipam os parques infantis de todo o país e começou recentemente a produzir, em exclusivo, rails flexíveis, para protecção de motociclistas.

Carlos Humberto, Presidente da Câmara do Barreiro, que frequentou, na altura o único liceu da cidade, que habita no centro, a dois passos do Quimiparque, disse ainda que este “Plano” vai “recuperar e valorizar a frente ribeirinha e a sua relação com Lisboa” e “criar uma rede de espaços públicos qualificados”.

Haverá espaço para tudo isto depois do “Plano” de especulação imobiliária e da voracidade manifestada pela CMB pelas taxas de construção a cobrar? E como acreditar que será no Quimiparque que se vão criar espaços públicos de qualidade quando nem sequer se sabem aproveitar as potencialidades da “Avenida da Praia” ou do “Barreiro Velho”?

Será que “estamos” a contar com a boa-vontade da Quimiparque e APL para continuar a fazer “grandes obras” de melhoramento, enquanto os assessores pagos a 3000euros/mês consomem as verbas que a Câmara Municipal poderia aplicar na recuperação e melhorias, por exemplo, de pequenos espaços do Barreiro Velho?
Será, Carlos Humberto, que podemos acreditar, que ao cabo de trinta e tal anos de manifesta incapacidade, vários compadrios, oportunismo e aproveitamento pessoal, que agora vai ser diferente? Porquê, o que é que mudou?




Entre o texto dos parágrafos anteriores, e o dos seguintes mediaram alguns dias. Foi o tempo necessário para conseguir recolher, a partir do site da Câmara Municipal, a imagem ao lado.

Apresenta, na forma gráfica, a proposta de Reconversão do Quimiparque e zona envolvente, considerando esta última como uma faixa da cidade, desde o futuro Fórum Barreiro, até à actual estação fluvial, que transforma em marina de recreio.

Como veremos nas postagens seguintes é, na verdade, um modelo muito parecido com o de Barcelona 22@, como nos disse Augusto Mateus, embora neste caso o grande centro comercial não esteja junto ao rio, mas bem no meio da cidade e a via diagonal catalã seja mais uma curva barreirense, que se baptizou como estrutura ecológica urbana.

Não deixa, contudo, de ser curioso como se define, já com algum rigor, a geometria da futura marina mas não se arrisca o esquiço do futuro interface fluvial/Metro Sul do Tejo, antes se opta por manter as estruturas existentes da antiga Nutasa, destinando a este equipamento, precisamente a zona do rio que não permite a atracagem dos barcos da Soflusa.

Também é interessante ver como a grande praça de água é afinal o cais existente da Atlanport e como a grande praça, espelho do Terreiro do Paço na margem sul, anunciada pelo Prof. Augusto Mateus, dá lugar a uma série de quarteirões habitacionais, muito bem definidos, fazendo assim “a valorização da relação privilegiada com o rio”, como nos apresentou o Arqº Tomás Salgado.

Outro aspecto interessante, desta proposta e que não tinha sido ilustrada até agora, tem que ver com o Metro Sul do Tejo. Repare-se que esta infra-estrutura se movimenta pelo interior da cidade, passando pela futura marina de recreio, o Fórum Barreiro, o futuro terminal fluvial, alimentando a zona destinada a actividades económicas do Quimiparque, para chegar à estação, a construir, na actual escola Álvaro Velho.

Eis uma proposta interessante que permite criar uma ligação ao interior da zona de actividades económicas do Quimiparque, permitindo estimular a actividade das empresas instaladas e criar uma atracção maior para potenciar este local como área de negócios.

Esta proposta cria contudo um enclave denominado Bairro das Palmeiras que, apesar de ser zona envolvente, não merece ser contemplado neste Plano de Reconversão, parecendo mesmo ser ignorada um anterior cenário onde, contíguo ao bairro, para nascente, seria cedido um terreno com 14 hectares para desenvolver habitação social e onde seriam instalados os actuais moradores deste bairro.

Continuo a pensar que a aposta é errada. Começámos a “construir a casa pelo telhado”. Em meu entender não se deveria apostar na construção de habitação para trazer ao Barreiro maior centralidade. Não é a existência de habitação que nos trás qualidade de vida nem sustentabilidade, mas sim a existência de emprego capaz de gerar mais-valias. Se não apostarmos na criação de emprego, atraindo empresas, dando-lhes incentivo e condições para se fixarem no Barreiro, nunca teremos sustentabilidade, qualidade de vida, nem outra coisa que não seja um imenso dormitório.

A revisão do PDM continua com alguns anos de atraso e não deverá estar concluída tão cedo. Basta tentar aceder ao link respectivo no site da Câmara Municipal para se perceber que algo se passa com esta revisão.

Em meu entender deveriam ter sido criadas zonas de protecção e expansão, junto ao rio (aquelas que estão, nesta proposta, ocupadas com habitação) que ficariam temporariamente ocupadas com zonas verdes dedicadas à pratica desportiva e actividades ao ar livre, eventualmente palco de actividades a dinamizar por colectividades e associações, até se fazer notar a sua falta, fosse para habitação fosse para albergar empresas.

Muita água passará por debaixo desta ponte a que chamamos Terceira Travessia do Tejo, mesmo até porque ainda não sabemos a sua localização definitiva. Embora mais interessante para nós a alternativa Chelas-Barreiro, tecnicamente outras soluções se apresentam mais atractivas, até do ponto de vista ambiental.

Com uma taxa de 40% de fogos desocupados ou devolutos nas freguesias do Lavradio e Alto do Seixalinho só justifica construir mais habitação se conseguirmos atrair mais população, mas para isso é necessário criar emprego.

Por estas razões apostar na criação de zonas habitacionais junto ao rio será desperdiçar a hipótese de criar, aproveitando as infra-estruturas existentes do Quimiparque e melhorando-as onde for necessário, uma zona geradora de emprego, com a instalação de novas empresas que procuram localizações mais baratas que as da periferia do novo aeroporto de Alcochete.

Com este Plano de Reconversão parece-me que a ideia inicial de qualificar a zona, de criar uma nova Expo, como chegou a ser anunciado, está cada vez mais longe, pelo menos a avaliar pela forma como nos propõem a ocupação do terreno.

Tomei a liberdade de enviar o link deste blog para o e-mail do Sr. Presidente da Câmara do Barreiro porque não quero que me acusem de estar a criticar e a duvidar das intenções da autarquia ou da administração do Quimiparque (a quem mando o link do blog desde o início), sem lhes dar o direito de resposta se assim o entenderem.

A resposta, qualquer comentário, referência, o que seja que façam chegar ao blog do BARREIROXXI será publicada na íntegra. O objectivo é discutir, num lugar acessível a todos, a qualquer hora, o que não foi discutido nas diversas sessões públicas onde as dúvidas dos presentes encontravam a retórica argumentativa e convincente do discurso optimista do Prof. Augusto Mateus.

Está em jogo o futuro de todos nós e dos nossos filhos por isso há que concretizar, apresentar exemplos e não esconder nada. Só se vive uma vez e a vida das pessoas é mais importante que o lucro das empresas de construção civil e das mediadoras imobiliárias.


Senhores meus, minhas senhoras, está nas nossas mãos não sermos espectadores mas actores. Cabe-vos a vós escolher o lugar que pretendem ocupar. Eu já escolhi. Esta solução não me serve, não acredito nela. É demasiado rebuscada e para mim evidente que a montanha se prepara para parir um rato.

Do sempre vosso
Captain Jack