É preciso recuar aos idos de 1976-1978, nos anos a seguir à revolução de Abril, embora eu prefira chamar-lhe simplesmente Golpe de Estado (e basta olhar para a falta de vergonha, irresponsabilidade e pouca competência da maior parte dos nossos políticos de hoje para perceber que assim foi), para assistir ao nascimento do primeiro projecto Elefante Branco na cidade do Barreiro.
Englobado numa série de investimentos “sociais” a Quimigal construiu um conjunto de fábricas de onde se destacam a célebre Kowa Seiko que deveria aproveitar as pirites alentejanas, enriquecê-las e enviá-las para a Siderurgia Nacional, no âmbito do, então, Plano Siderúrgico Nacional.
A Kowa Seiko nunca chegou a alimentar a Siderurgia Nacional porque, entretanto, também o Plano Siderúrgico Nacional não saiu do papel e tudo se saldou numa experiência negativa que custou ao país alguns milhões de contos (na moeda da altura), perdidos e convertidos em toneladas e toneladas de pirite que, durante anos foram monumento à memória da decisão política de Lisboa.
A Kowa Seiko foi vendida como sucata, anos mais tarde, pouco restando que a recorde. Outras fábricas, contudo, ainda hoje existem embora despojadas daquilo que as poderia tornar valiosas para produzir ou estão mesmo completamente obsoletas, após todos estes anos.
Fibras de Vidro, Zinco Metálico, Sulfato de Alumínio são exemplos de elefantes brancos de investimento que não serviram para nada.
Na altura, como hoje se diz de outros projectos em curso, iriam gerar emprego e trazer um novo fôlego à cidade do Barreiro, para que esta recuperasse a sua importância na Margem Sul.
A História mostrou-nos que, afinal, de boas intenções está o mundo cheio (e o Barreiro também!) sendo que o resultado foi que a Montanha pariu um ratinho.
As fábricas foram desmanteladas, os trabalhadores despedidos salvando-se, no entanto, a maior parte dos edifícios, aproveitados a partir de 1990 para, remodelados, acolherem várias empresas das mais diversas áreas de actividade, e assim se mantém até hoje.
Na altura (em 1991), sem grandes manobras de propaganda publicitária, sem grandes devaneios megalómanos, alguém apostou num projecto que hoje se demonstrou ser realista, exequível e, mais importante ainda, foi possível realizar. Impediu-se, com este pouco ambicioso projecto, a degradação do património edificado da Quimigal no Barreiro, foi possível reconstruir infra-estruturas, criar uma envolvente verde no interior do que veio a designar-se por Parque Empresarial e instalar cerca de 300 empresas que empregam 4000 trabalhadores (os números são do Presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, publicados pelo jornal “Notícias do Barreiro”).
Mais recentemente, em 2004, foi inaugurado o Museu Industrial da Quimiparque, demonstrando a capacidade de quem sabe trabalhar sem alarde nem propaganda enganadora, afirmando-se pelo saber fazer com os recursos de que dispõe.
São, certamente, ensinamentos da velha “escola” da CUF que aqueles mais velhos tão bem recordam. O Infantário, a Escola Primária, o Posto Médico, o Complexo Desportivo, o Cinema, os Refeitórios, o Balneário, as Despensas, o apoio à Escola Alfredo da Silva, aos clubes da vila (na altura o Barreiro era uma vila), os Bairros habitacionais de Santa Bárbara e o “Novo da CUF”, mas sobretudo a capacidade de criar emprego que, directamente, envolvia 10000 pessoas.
Como é diferente o modo de trabalhar dos nossos responsáveis autárquicos de hoje!
Publicitam-se projectos Polis que, findos três anos após o seu início, se resumem a um passeio ribeirinho com uma ciclovia, “constroem-se” hotéis à beira-rio com vista para “marinas” imaginárias, “cidades do cinema” sem final feliz para, volvidos trinta anos tudo se resumir a um enorme Parque da Cidade, com labirínticos acessos e vedado por edifícios, um auditório, com programas culturais, tímidos e reticentes, que enche por convite, um colossal (em minha opinião) mamarracho escultórico na Rotunda do Álvaro Velho e uma “complexa” rotunda ,nos Casquilhos, cuja construção decorre há mais de 6 (seis) meses!
Anunciam-se agora novos, importantes, ambiciosos, redentores, magnânimos, super-projectos para o centro da cidade.
Um Centro Comercial – Fórum Barreiro – para o qual nem os acessos foram estudados, projectados e muito menos executados, um (mais outro!) complexo habitacional no Campo das Cordoarias (também já lhe chamaram Rossio talvez recordando como seria bom termos por cá um novo Marquês de Pombal) e, por último, tudo pensado para a mesma zona, um outro complexo de comércio, habitação e serviços projectado para onde se ergue, ainda, o Estádio D. Manuel de Mello.
“Vai dinamizar e requalificar o centro da cidade” houve quem já o afirmasse mas, para mim, que ainda não me esqueci da confusão que foi a vinda do SLBenfica para jogar com o FCBarreirense, neste mesmo estádio que vai ser demolido e, olhando para o projecto viário que a Câmara Municipal do Barreiro pretende desenvolver à custa da Quimiparque, atrevo-me a dizer que estamos a apostar no cavalo errado.
Sobre este Elefantinho Branco que “estamos” a construir e que já incomoda os moradores da Rua Stara Zagora, a quem ninguém teve o cuidado de informar convenientemente das reais dimensões e implicações desta construção, levantavam-se-me algumas dúvidas que não conseguia entender:
I. Onde está o Estudo de Impacto Viário que deveria ter sido exigido ao promotor?
II. Porque, à semelhança do que fizeram outras autarquias que têm equipamentos semelhantes, não foi exigido ao promotor a construção das necessárias e adequadas infra-estruturas viárias, para fazer face ao esperado fluxo viário?
Até que, em 29 de Setembro de 2007, fiquei esclarecido. Nenhuma das medidas anteriores foi necessária porque se recorreu à Quimiparque, (mais uma vez!), uma empresa de capital público que, já que “mexe” com o dinheiro de todos, pode ser espoliada dos seus activos para rentabilizar o investimento de (alguns) privados.
Desta vez será dada uma dentadinha nos terrenos da Quimiparque contíguos ao estádio do Barreirense e talha-se o resto, cortando em dois o restante território, para o atravessar em direcção ao IC 21.
Recentemente, a um promotor imobiliário que criou uma urbanização em Santo António da Charneca, com 250 fogos de habitação, foi-lhe exigido que construísse uma rede de esgotos com cerca de 1.5km fora dos seus terrenos e ao longo da estrada municipal que liga esta freguesia a Vila Chã.
Ainda estão na memória dos barreirenses os incómodos que isto lhes trouxe, mas era necessário e por isso esse promotor teve que suportar os custos inerentes a esta obra.
Então, apetece agora perguntar, porque razão é que este promotor que propõe um Centro Comercial (que vai acabar com o comércio local) e um conjunto habitacional de 139 fogos (com 5 metros de janela para aproveitar a “amplitude da paisagem” ??? in http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=40673&mostra=2), não suporta ele também os custos com as necessárias infra-estruturas, viárias e não só?
Para onde vão os esgotos? Já estão feitos? Alguém já se esqueceu das inundações do cruzamento da Rua Miguel Bombarda com a Av. Alfredo da Silva, sempre que chove? Ligam ao sistema de esgotos da Quimiparque e depois? Irão para o rio Tejo? Estes não poluem nem contaminam as águas? E terá o sistema de esgotos da Quimiparque capacidade e condições para tal acréscimo de caudal?
E porque razão se aceita a redução do número de lugares de estacionamento em ⅓, o que se traduz numa poupança de 4 (quatro) milhões de euros ao promotor do Fórum Barreiro, se amplia a área comercial a arrendar desistindo da ideia de deslocar para este espaço o Mercado Municipal e não se negoceiam melhores contrapartidas?
E porque razão se corta em dois, um parque empresarial onde trabalham 4000 pessoas e empresas importantes como a Sovena (responsável pelo óleo Fula e o azeite Oliveira da Serra, que consumimos), a Mateace (um importante empreiteiro da EDP para o norte e sul do país), a Ipodec e a Ambimed (empresas certificadas na área do tratamento de resíduos), a Noxitel (empresa de telecomunicações que produz e instala as antenas que nos permitem trabalhar com os nossos telemóveis), a Efacec/Atm (importante empresa de metalomecânica e electromecanismos), entre outras?
Que é feito dos discursos de apoio aos desfavorecidos do Bairro das Palmeiras agora que nos preparamos para desviar definitivamente o trânsito do interior deste aglomerado? Será para criar uma imensa zona pedonal com vista para os pátios degradados ou para criar um gueto?
Porque não ter aproveitado esta “Nova Cidade” para rasgar, directamente da rotunda já executada no limite sul do Campo das Cordoarias, uma alameda paralela à linha-férrea, com custos suportados pelos diversos (?) promotores, a exemplo do que se fez em Almada ou no Seixal?
Não seria uma oportunidade para demolir algumas casas degradadas e sem condições de habitabilidade, no Bairro das Palmeiras, e alojar os seus habitantes em casas de habitação social?
Ainda não acabou, prometo-vos senhores meus, minhas senhoras, que voltaremos a estes e outros assuntos. Palavra de
Captain Jack
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domingo, 6 de janeiro de 2008
PALERMAS, ELEFANTES BRANCOS e OUTROS "BICHOS" DE ESTIMAÇÃO
Postado por
Captain Jack & AlmaSense
às
07:35
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Marcadores: Forum Barreiro, Quimiparque, UM OLHAR SOBRE O Barreiro
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Barreiro XXI - Um Olhar sobre o Barreiro
Um Olhar Sobre o BARREIRO
PORQUÊ ESTE BLOG?
Nascido em Lisboa vivi, contudo, a maior parte da minha vida na cidade do Barreiro onde aprendi a conviver com a “gasaria”, como outrora se chamava à poluição que, em dias nublados se transformava naquela espécie de nevoeiro que nos picava a garganta.
Como tantos outros miúdos de então fui a banhos para o Clube Naval Barreirense e ouvi, como todos eles, as histórias do Rei D. Carlos que, também, para cá teria vindo “a banhos”. “Por causa do iodo”, diziam todos, e acrescentavam, orgulhosos, que a praia “tem (tinha) mais iodo que as da linha!” (na altura o Algarve pertencia à Torralta, em Alvor, e o resto eram alfarrobeiras).
Vivi e convivi, no Barreiro, com os meninos filhos dos engenheiros da CUF e com os outros do Bairro das Palmeiras, com os da Quinta da Amoreira e com os da Recosta. Joguei à bola com todos eles e à pedrada também (a rapaziada divertia-se “à brava” naqueles tempos!).
Vibrei com as matinées no cinema da CUF, no Cine Barreirense e no dos Ferroviários. Bati palmas à “Mary Poppins”, vi a “Música no Coração”, chorei com o “Bambi” e ri com “Cheety-Cheety-Bang-Bang”.
O 25 de Abril apanhou-me de calções na Escola Álvaro Velho mas ainda me lembro de como as ruas se encheram de gente no primeiro 1º de Maio, quando todos ainda eram amigos de todos, as fábricas da CUF e a CP ainda davam trabalho a meia cidade e o comércio local garantia o resto.
Vivi a adolescência nos bailes do 22 de Novembro, nos dos Franceses e nos dos Penicheiros. Aprendi a jogar bilhar no Luso, Snooker no Barreirense e Flippers no Café Barreiros (aquele que está a cair, não sei se por falência da estrutura do edifício ou incompetência dos homens, li no Barreiro Velho, a quem também a mesma “doença” vai fazendo cair, casa a casa no silêncio do esquecimento).
Bebi a primeira bica na Boleira do Parque, comi a primeira tosta mista no colega e a primeira imperial no Caveira.
Fiz o meu primeiro exame na Escola Conde Ferreira, outros no liceu dos Casquilhos e, o último, na Faculdade, em Lisboa.
Viajei muito e conheço muito Mundo. Estive em Madrid, Paris, Londres, Hamburgo, Oslo, Estocolmo, Viena, Roma, Belgrado, Atenas, Istambul, Cairo, Barcelona, Havana, Zagreb, Dubrovnic, Salzburgo, Andorra, Marselha, Gottemborg, Amesterdão, Bruxelas, Copenhaga, Nova Iorque, mas regressei ao Barreiro para o ver morrer, devagar, como a vela que se extingue por não haver mais pavio para arder.
Voltei ao Barreiro para assistir à promoção social dos antigos cábulas, gente prendada e esperta que sempre se soube insinuar, ao estrelato dos alunos da última fila da sala, ao controlo exercido por aqueles que sempre foram mandados para encobrir o mandante.
Voltei ao Barreiro para ver as ruínas daquele que foi o maior complexo industrial químico da Europa, agora a ser alvo do apetite imobiliário desenfreado alimentado pelas ideias megalómanas de quem, sabendo que não será responsabilizado, se permite “matar o que ainda mexe”.
Voltei para assistir à morte da linha de comboio, e da Estação de onde partiam os comboios que ligavam Lisboa ao Sul do país. Por esta linha e nesta Estação desembarcaram os pais dos Barreirenses e os jornais que nos trouxeram as primeiras notícias do resto do país. Foram os barcos que atracavam nos cais desta Estação que trouxeram os jornais que anunciaram a morte de D. Carlos, a subida ao poder de Salazar e transportaram os Barreirenses que viveram o 25 de Abril, ao desembarcar no Terreiro do Paço, em 1974.
Voltei ao Barreiro para assistir à morte do comércio local, com montras onde o tijolo substituiu o vidro enquanto, com pompa e circunstância se anuncia um futuro cheio de Centros Comerciais, ali mesmo no centro da cidade, pontes para Lisboa e Seixal, uma mega urbanização, muito “Expo”.
Não sei se ainda cá estarei quando esta montanha parir o habitual to dos projectos falhados e o Barreiro se tiver que confrontar com a realidade dura do desemprego, maior que o que já existe e a fome que alimenta aqueles que, do Bairro das Palmeiras e do Barreiro Velho fazem fila, aos Sábados, junto à Quimiparque, onde buscam ajuda alimentar.
Não tenho medo que me acusem de pessimista e conservador, de ser daqueles de ter medo da mudança e da modernidade, prefiro isso a ser acusado pela minha consciência de ser conivente com aqueles que, para proveito próprio jogam o futuro de todos na roleta da sua própria ambição.
Ao longo dos próximos tempos deixarei na Net o que me vai na alma sobre muitos dos temas (e das promessas) em que tantos se empenham. A História será, como sempre foi, o melhor juiz daquilo que seremos capazes de fazer nos próximos anos, e estes textos servirão para mostrar o que se prometeu e o que realmente se fará.
Podem chamar-me Velho do Restelo, Arauto da Desgraça, Retrógrado, Incapaz, Desiludido da Vida, até mesmo Falhado que, tais epítetos, senhores meus minhas senhoras, não me servem, saibam antes que prefiro assinar estes textos que prometo continuar neste blog, como Captain Jack.
Captain Jack
PORQUÊ ESTE BLOG?
Nascido em Lisboa vivi, contudo, a maior parte da minha vida na cidade do Barreiro onde aprendi a conviver com a “gasaria”, como outrora se chamava à poluição que, em dias nublados se transformava naquela espécie de nevoeiro que nos picava a garganta.
Como tantos outros miúdos de então fui a banhos para o Clube Naval Barreirense e ouvi, como todos eles, as histórias do Rei D. Carlos que, também, para cá teria vindo “a banhos”. “Por causa do iodo”, diziam todos, e acrescentavam, orgulhosos, que a praia “tem (tinha) mais iodo que as da linha!” (na altura o Algarve pertencia à Torralta, em Alvor, e o resto eram alfarrobeiras).
Vivi e convivi, no Barreiro, com os meninos filhos dos engenheiros da CUF e com os outros do Bairro das Palmeiras, com os da Quinta da Amoreira e com os da Recosta. Joguei à bola com todos eles e à pedrada também (a rapaziada divertia-se “à brava” naqueles tempos!).
Vibrei com as matinées no cinema da CUF, no Cine Barreirense e no dos Ferroviários. Bati palmas à “Mary Poppins”, vi a “Música no Coração”, chorei com o “Bambi” e ri com “Cheety-Cheety-Bang-Bang”.
O 25 de Abril apanhou-me de calções na Escola Álvaro Velho mas ainda me lembro de como as ruas se encheram de gente no primeiro 1º de Maio, quando todos ainda eram amigos de todos, as fábricas da CUF e a CP ainda davam trabalho a meia cidade e o comércio local garantia o resto.
Vivi a adolescência nos bailes do 22 de Novembro, nos dos Franceses e nos dos Penicheiros. Aprendi a jogar bilhar no Luso, Snooker no Barreirense e Flippers no Café Barreiros (aquele que está a cair, não sei se por falência da estrutura do edifício ou incompetência dos homens, li no Barreiro Velho, a quem também a mesma “doença” vai fazendo cair, casa a casa no silêncio do esquecimento).
Bebi a primeira bica na Boleira do Parque, comi a primeira tosta mista no colega e a primeira imperial no Caveira.
Fiz o meu primeiro exame na Escola Conde Ferreira, outros no liceu dos Casquilhos e, o último, na Faculdade, em Lisboa.
Viajei muito e conheço muito Mundo. Estive em Madrid, Paris, Londres, Hamburgo, Oslo, Estocolmo, Viena, Roma, Belgrado, Atenas, Istambul, Cairo, Barcelona, Havana, Zagreb, Dubrovnic, Salzburgo, Andorra, Marselha, Gottemborg, Amesterdão, Bruxelas, Copenhaga, Nova Iorque, mas regressei ao Barreiro para o ver morrer, devagar, como a vela que se extingue por não haver mais pavio para arder.
Voltei ao Barreiro para assistir à promoção social dos antigos cábulas, gente prendada e esperta que sempre se soube insinuar, ao estrelato dos alunos da última fila da sala, ao controlo exercido por aqueles que sempre foram mandados para encobrir o mandante.
Voltei ao Barreiro para ver as ruínas daquele que foi o maior complexo industrial químico da Europa, agora a ser alvo do apetite imobiliário desenfreado alimentado pelas ideias megalómanas de quem, sabendo que não será responsabilizado, se permite “matar o que ainda mexe”.
Voltei para assistir à morte da linha de comboio, e da Estação de onde partiam os comboios que ligavam Lisboa ao Sul do país. Por esta linha e nesta Estação desembarcaram os pais dos Barreirenses e os jornais que nos trouxeram as primeiras notícias do resto do país. Foram os barcos que atracavam nos cais desta Estação que trouxeram os jornais que anunciaram a morte de D. Carlos, a subida ao poder de Salazar e transportaram os Barreirenses que viveram o 25 de Abril, ao desembarcar no Terreiro do Paço, em 1974.
Voltei ao Barreiro para assistir à morte do comércio local, com montras onde o tijolo substituiu o vidro enquanto, com pompa e circunstância se anuncia um futuro cheio de Centros Comerciais, ali mesmo no centro da cidade, pontes para Lisboa e Seixal, uma mega urbanização, muito “Expo”.
Não sei se ainda cá estarei quando esta montanha parir o habitual to dos projectos falhados e o Barreiro se tiver que confrontar com a realidade dura do desemprego, maior que o que já existe e a fome que alimenta aqueles que, do Bairro das Palmeiras e do Barreiro Velho fazem fila, aos Sábados, junto à Quimiparque, onde buscam ajuda alimentar.
Não tenho medo que me acusem de pessimista e conservador, de ser daqueles de ter medo da mudança e da modernidade, prefiro isso a ser acusado pela minha consciência de ser conivente com aqueles que, para proveito próprio jogam o futuro de todos na roleta da sua própria ambição.
Ao longo dos próximos tempos deixarei na Net o que me vai na alma sobre muitos dos temas (e das promessas) em que tantos se empenham. A História será, como sempre foi, o melhor juiz daquilo que seremos capazes de fazer nos próximos anos, e estes textos servirão para mostrar o que se prometeu e o que realmente se fará.
Podem chamar-me Velho do Restelo, Arauto da Desgraça, Retrógrado, Incapaz, Desiludido da Vida, até mesmo Falhado que, tais epítetos, senhores meus minhas senhoras, não me servem, saibam antes que prefiro assinar estes textos que prometo continuar neste blog, como Captain Jack.
Captain Jack
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