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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O que vão "eles" fazer do nosso Rio?


No seguimento do longo processo de reconversão da área do Quimiparque, que ainda ninguém percebeu a quem interessa mais, se ao accionista (Estado, via Parpública) se à autarquia barreirense, que não hesita em apresentar-se em todo o lado como signatário principal do processo, deixando à empresa do Estado o prazer de pagar a “conta”, a APL foi “convidada” a dar a sua contribuição para o referido estudo.

Desde o início que ouvimos o Prof. Augusto Mateus defender ideias e propostas que envolviam o Rio e a sua margem, nomeadamente a alteração da localização da actual estação fluvial para o interior do Quimiparque.

O próprio Metro Sul do Tejo (MST) teria a sua estação no mesmo local, criando um interface ferro-fluvial. Em todo este processo a Nova Cidade do Barreiro seria rasgada por um ampla avenida, aproveitando o que hoje é a área ocupada pelo terrapleno da linha férrea do Alentejo.

Decorridos todos estes meses em que se multiplicaram as reuniões e se ampliou a equipa de trabalho, que engloba agora a Parque Expo além de diversos técnicos da Câmara Municipal do Barreiro e alguns quadros de topo da Quimiparque, começam a surgir propostas de diversas entidades a quem foram solicitados estudos de possíveis soluções para zonas que directamente lhes interessem.

É o caso da APL (Administração do Porto de Lisboa) que, tendo contratado a Consulmar, a Bruno Soares Arquitectos e a DHV, apresentou o Estudo de Soluções Portuárias para a Área de Jurisdição da APL no Barreiro, que se debruça especificamente sobre as zonas actualmente exploradas pela Atlanport e LBC-Tanquipor.

Este Estudo apresenta uma solução que prevê a criação de uma frente portuária que não só integra as actividades existentes como também propõe a criação de uma área logística multimodal de mercadorias.

No Estudo desenvolvido a pedido da APL, todas as soluções apontadas assentam no pressuposto de que a altura útil para navegação, imposta pela TTT (Terceira Travessia do Tejo), não será inferior a 26.5 metros, para permitir a passagem de barcaças que possam transportar a sucata actualmente descarregada no porto do Quimiparque para a Siderurgia Longos.

Pela primeira vez se admite, e mesmo assim de forma confidencial, o facto de o Rio Tejo perder a sua capacidade de navegabilidade para montante da TTT para barcos que não sejam de pequeno calado.

Mas o que marca este estudo, numa altura em que tanto se fala da “muralha” de contentores que a Liscont pretende erguer em Alcântara, não é a perda de navegabilidade do Rio Tejo mas antes a possibilidade, apresentada como “uma oportunidade única na região” e “cujas “potencialidades interessa avaliar”, de criar uma área logística associada ao Porto de Lisboa.

A APL apresenta três possíveis soluções, tendo todas em comum a criação de terminais fluviais de contentores e de parques logísticos industriais de médio porte. O que difere nas alternativas apresentadas é a solução encontrada, em cada uma delas, para as actividades da Atlanport e da LBC-Tanquipor.

Numa primeira hipótese a APL propõe a manutenção da Atlanport no mesmo local onde agora se encontra mas construindo em aterro, um terrapleno de 6 hectares com cais acostável de 380 metros, para descarga de granéis sólidos (fundo a 8.5 metros) e outro cais (fundo a 5 metros) para carga de granéis sólidos, em barcaças.

O cais da LBC Tanquipor é deslocalizado 850 metros para jusante, relativamente à sua actual localização, sendo nesta proposta constituído por uma série de duques d’Alba (espécie de poitas ou maciços de amarração), fundo a 10 metros e uma plataforma de condutas para carga e descarga de grainéis líquidos.
A segunda e terceiras alternativas apresentadas, têm o mesmo modelo. A Atlanport abandona as suas actuais instalações, passando a operar imediatamente a jusante da TTT, numa plataforma com 7.3 hectares, duas frentes acostáveis, respectivamente com 380 metros de extensão e fundo a 8.5m e uma outra com 270 metros de extensão, fundo a 5.0 metros.

Refere ainda o estudo que esta plataforma acostável está destinada à “descarga de granéis sólidos (fundamentalmente sucata)”. Esta sucata será descarregada directamente dos navios que acostam nos (dois) cais de 8.5m de fundo e tornados a carregar em barcaças, único barco possível de acostar no cais -5.0m ZH, para serem transportados à Siderurgia Longos.

A LBC Tanquipor terá um ponto de acostagem, 320 metros a poente do porto da Atlanport, sendo a descarga, fundamentalmente de combustíveis líquidos, conduzida às suas instalações através de um sistema de condutas com 1400 metros de extensão.


Teria sido este factor que motivou a preferência pela Alternativa 3, por parte da Câmara Municipal e Quimiparque. A Alternativa 3 difere da Alternativa 2 porque considera o porto da LBC Tanquipor, afastado cerca de 450 metros para Norte do da Atlanport.

Nesta Alternativa o terminal da LBC Tanquipor tem uma extensão de 80 metros e é completado com uma série de duques D’Alba, para amarração. A descarga de combustíveis está ligada aos reservatórios de armazenagem, em terra, por condutas submersas que passam por debaixo do tabuleiro da TTT .

“Qualquer uma destas alternativas obriga à relocalização da bacia de manobra do terminal da Tanquipor e à correcção ao traçado do canal de acesso, envolvendo um volume significativo de dragagens de instalação”. Para além desta conclusão o estudo diz ainda que “ O transporte fluvial, por barcaças, da sucata descarregada no novo terminal da Atlanport, para a Siderurgia, ficará essencialmente dependente da viabilidade de dragagem do canal da Siderurgia (em fase de estudo pela APL) e da reabilitação do cais aí existente (técnica e economicamente viável), assim como da garantia de que a ponte do MST, que liga o Seixal ao Barreiro, possuirá um tirante de ar suficiente para permitir a passagem de barcaças rebocadas”, (9 metros para embarcações com mastreação rebatível e 16 metros para mastro fixo).

Mas a proposta APL para o desenvolvimento estratégico do Barreiro vai mais longe ao criar a Área Logística Multimodal do Barreiro (na imagem, envolvendo a actual LBC Tanquipor), a instalar na área de jurisdição da APL que, diz, “deve assumir-se como uma plataforma logística multimodal articulada com o Porto de Lisboa”.

Para esta valência pretende-se “uma área constituída por várias tipologias funcionais, podendo integrar as indústrias pesadas já existentes, indústrias ligeiras e espaços empresariais de serviços, entre os quais empresas logísticas de valor acrescentado e de distribuição. Esta área terá a particular vantagem de possuir um cais para a recepção de contentores, assegurando assim o transporte/escoamento fluvial de contentores, entre margens e com origem/destino nos terminais de Alcântara e Santa Apolónia”.

O estudo a que tivemos acesso, indica como actividades possíveis para a Área Logística Multimodal do Barreiro:
- recepção e transporte de contentores entre modos (destinos inicial e final)
- parqueamento de contentores vazios
- manutenção, reparação e limpeza de contentores/equipamentos
- consolidação, fraccionamento e armazenagem de cargas
- depósito alfandegário
- centros de empresas
- associações do sector dos transportes
- empresas de prestação de serviços a outras empresas
- centro de saúde, bombeiros, polícia, empresas de segurança
- bancos, restauração, comércio, ginásios
- serviços administrativos e do Estado
- centros de comunicações
- sede da Empresa de Gestão da Área Logística Multimodal do Barreiro

O próprio estudo tece ainda considerações quanto ao modelo de gestão a considerar para a Área Logística Multimodal do Barreiro, a qual deverá ser assegurada por uma sociedade gestora de capitais públicos ou mistos (públicos e privados), da qual poderão fazer parte “a APL, a CMB, Quimiparque, Tanquipor, Atlanport, entre outros”.

Quanto aos impactes ambientais o próprio estudo considera haverem factores negativos bastante significativos durante a fase de construção da Área Logística Multimodal do Barreiro, nomeadamente com a possibilidade do aparecimento de metais pesados (arsénio e mercúrio) durante a dragagem do rio. Também a movimentação de máquinas e equipamentos durante a construção, se traduz no aumento de veículos em circulação, do ruído, dos materiais poluentes e das poeiras em suspensão no ar.

Durante a fase de exploração as dragagens frequentes, quer do canal de acesso à Siderurgia, quer dos restantes canais de navegação, bacias de rotação e de manobra, implicam a remoção e mexida de metais pesados que existem no leito do rio.

Também o nível de ruído poderá ser ligeiramente superior ao actualmente registado e a qualidade do ar poderá ressentir-se devido “à emissão de poluentes atmosféricos resultantes do acréscimo de tráfego automóvel pesado”. (...) “Neste sentido a implantação de uma área logística e multimodal poderá contribuir para um agravamento da situação actual (fortemente condicionada pala actividade industrial), facto que constituirá um impacte negativo, significativo e permanente, embora geograficamente localizado à zona prevista para a sua implementação”, refere o estudo- proposta.

Estas são as propostas da APL para a zona ribeirinha sobre a qual tem jurisdição.

Basicamente, qualquer que seja a proposta, continuaremos a ter a movimentação de sucatas na nossa cidade, e com esta proposta até em maior quantidade segundo parece. Deixaremos de ter os camiões a circular no IC21 mas, em contrapartida teremos barcaças no rio, a transportar essa mesma sucata até à Siderurgia.

Ao largo, a nossa vista sobre Lisboa passará a ter no campo de visão a descarga de combustíveis e, se estas propostas forem avante, teremos também na margem sul, a parte do negócio de trânsito e carga que não interessa a Lisboa.

A APL, como se viu, prepara-se para colocar no Quimiparque as actividades de reparação e conservação de contentores, com os inconvenientes que este tipo de actividade arrasta consigo, tendo escolhido para esse efeito dois locais, junto à zona de tancagem da LBC que, ao ser fisicamente cercado pela futura área logística do Barreiro, deixará de ter espaço para se expandir.

Certamente, quando esta proposta for tornada pública, estas as actividades serão apresentadas como geradoras de emprego e, provavelmente, até nos dirão que incorporarão as mais modernas tecnologias e empregarão técnicos qualificados (para carregar contentores em barcaças!).

Actualmente, as empresas instaladas no Quimiparque, não possuem mão-de-obra qualificada (esta é pelo menos a imagem que conhecemos) mas, o que a APL propõe, não trás valor acrescentado além de contribuir para o aumento da poluição do ar e do rio.

O transporte e movimentação de sucatas é responsável pela produção de nuvens de pó de materiais ferrosos que, se em grande quantidade, podem tornar-se um problema de saúde pública, poluindo o rio e a própria cidade.

Quanto à área logística, quem não se lembra do aspecto da zona do Poço do Bispo e do parque de contentores da Matinha, em Lisboa, antes da Expo 98? Esta é a paisagem que iremos ter nos terrenos contíguos à FISIPE e CPPE.

Mas esta proposta, a ser aceite, poderá ter também efeitos negativos para todo um conjunto de projectos com os quais nos vêm acenando há bastante tempo. Refiro-me à célebre Cidade do Cinema, à criação de uma zona ribeirinha dedicada ao lazer e a actividades lúdicas e à instalação de empresas de serviços e de novas tecnologias.

Que empresário quererá instalar a sua empresa com vista para um terminal de contentores ou para um cais de descarga de sucata, transportada em barcaças?

Parece-me que o autismo e incapacidade dos nossos autarcas, demasiado embevecidos pelo sonho megalómano de construir uma nova cidade nos terrenos do Quimiparque, pelos milhões de euros em taxas de construção e IMI que isso significa, nos está a conduzir para uma realidade bem pior que aquela que temos vivido nas últimas décadas da cidade.

Estamos a “navegar à vista”, sem uma estratégia definida e outro objectivo que não seja a criação de condições para favorecer a especulação imobiliária. Enquanto isto vamos assistindo a um estranho relacionamento de “amizade” entre a Quimiparque e a Câmara Municipal do Barreiro, com a primeira oferecendo terrenos e abrindo a bolsa para satisfazer os apetites da segunda.

Foi assim com a cedência de terrenos para se construírem os acessos ao Forum Barreiro, como já antes tinha sido com a cedência das instalações da antiga fábrica da SOTINCO/CIN à autarquia, com o projecto da Rotunda no Largo das Obras e será assim quando se partir em dois o parque empresarial em nome do acesso ao centro da cidade (entenda-se Forum Barreiro).

Mais uma vez caberá à Quimiparque o pagamento da factura para viabilizar o investimento na especulação imobiliária daqueles que promovem uma nova cidade assente em andares que ficam por vender e empregos que não se criam, mesmo que isso signifique o sacrifício das condições oferecidas às empresas instaladas.

Há que saber aproveitar a nova centralidade no arco ribeirinho sul, que o Presidente Carlos Humberto não se cansa de repetir que vamos ser. Mas nada ainda foi feito. Continuamos sem identidade nem ideias próprias, copiamos estereótipos e apostamos, para motor do desenvolvimento da cidade, em projectos imobiliários como o da Quinta das Cordoarias, ou o Forum Barreiro, como gerador de emprego.

Agora que já abriu portas, é tempo de perguntar onde estão os 3000 empregos apregoados para o Forum Barreiro (1000 directos e 2000 indirectos - inJornal do Barreirode 31 Outubro 2008)?

Minhas senhoras, meus senhores, estão a vender-nos ilusões em forma de ponte sobre o Rio Tejo, futuros risonhos com edifícios de luxo e lojas de marca a sortearem automóveis topo de gama, do mesmo modo que há 34 anos nos prometeram uma vida melhor.

É isto que queremos? É nisto que acreditamos? Temos razões para acreditar nestes profetas? É fundamental pensarmos pela nossa cabeça e expressarmos as nossas ideias e opiniões. Não podemos deixar-nos levar por políticos interessados em defender interesses que não são os nossos (eventualmente serão os deles).

Do Vosso Captain Jack


Nota para a nossa leitora do Porto:

Os edifícios do Largo das Obras foram adquiridos há cerca de 7 anos por uma empresa com sede em Gibraltar, integrados num lote de imóveis que foram vendidos em licitação pública.
Na altura um jornal nacional chegou a noticiar ter sido um negócio com contornos pouco claros, envolvendo conhecidas personalidades da cidade, alguns deles com responsabilidades políticas.
Nada ficou esclarecido.
Presentemente, apesar de ocupados por 3 ou 4 famílias, estão ao abandono.

domingo, 21 de setembro de 2008

VISTAS LARGAS EM RUAS ESTREITAS

Ao longo dos últimos dois anos temos assistido a um desfile de ideias megalómanas que, a reboque da mais despudorada demagogia, vão enchendo as páginas dos jornais barreirenses e dando a volta à cabeça daqueles que tendem a confundir a realidade com a miragem.

Foi assim com a Terceira Travessia do Tejo (TTT), que até hoje nenhum dos responsáveis autárquicos teve a coragem de divulgar até que ponto irá retalhar o Barreiro, para que possamos continuar a ver passar os comboios que vão para o Sul, sem pararem em nenhuma das estações que ainda ficaram de pé.

Foi assim com a megalómana avenida que Augusto Mateus propôs construir no lugar da linha-férrea que atravessa a cidade onde ainda hoje passa e no futuro continuará a passar a linha do Alentejo. A propósito, aliás, veja-se o terminal ferroviário que a REFER está a construir junto da estação do Barreiro-Mar, com três linhas e duas plataformas de passageiros, no âmbito da empreitada de electrificação da linha do Alentejo.

(...) O objectivo é “melhorar a interface do modo de transporte ferroviário com os modos de transporte fluvial e rodoviário, já existente no Barreiro”, explica a REFER.

(...) Ainda no quadro da electrificação da linha do Sado está previsto que a muito curto prazo avance a construção de uma passagem superior pedonal, junto ao Bairro das Palmeiras, para substituição da existente, que não tem altura suficiente para permitir a electrificação do traçado.
In Jornal “Sem Mais” edição de 13 de Setembro de 2008

A avenida que Augusto Mateus via como tendo quatro faixas, separador central, largos passeios e talvez até uma ciclovia, um percurso verdejante de árvores por onde os barreirenses circulariam em direcção ao novo centro (Forum Barreiro e empreendimento imobiliário do Quimiparque, entenda-se) qual Via Diagonal de Barcelona, ficará, pelos vistos, adiada, para deixar passar os comboios para o Pinhal Novo.

A grande estação interface ferro-rodoviária a construir algures sobre a Escola Álvaro Velho, outra das ideias propostas por Augusto Mateus no seu célebre Plano de Reconversão do Quimiparque (que eu nunca percebi porque tinha que passar para o exterior deste território) e que ficaria desligada do transporte fluvial, tão importante para os milhares de pessoas que o utilizam diariamente, parece afinal ter mudado de sítio para o local agora ocupado pela garagem dos TCB, não para poupar edifícios de habitação mas porque assim o decidiram a REFER/RAVE/CP.

A célebre Cidade do Cinema, que os nossos autarcas “exigiram” tornar-se em projecto PIN+, com sucessivas e inconclusivas reuniões, continua a aguardar que o promotor entregue o Dossier de Projecto, situação que tem vindo sucessivamente a ser adiada.
Na última versão falava-se em Agosto. Foi entregue?

De tudo isto uma coisa parece ser certa. Qualquer perspectiva para futuro do Barreiro passa sempre pelo Quimiparque. Foi lá que se construiu a nova esquadra de polícia, é lá que se está a construir o novo quartel dos Bombeiros Sul e Sueste, é por lá que irá passar a ligação viária ao Forum Barreiro; também é para lá que se mudaram já alguns serviços da Câmara Municipal do Barreiro e outros se lhe seguirão, (ao que parece quando a megalomania couber dentro do orçamento da Quimiparque, SA) e teve também que ser esta empresa, cujo único accionista é o Estado, a doar o terreno para a construção da ETAR e a suportar os custos de movimentação de terras, há um ano atrás.

Não será este interesse e fé nos poderes mágicos do Quimiparque devido apenas aos cerca de 300 hectares de terreno de que esta empresa é proprietária?

“Nós queremos ser uma centralidade na Área Metropolitana de Lisboa, uma centralidade com qualidade, e o elemento mais importante é a Quimiparque. Tudo o resto os outros concelhos têm, o que nos diferencia dos outros concelhos será o que conseguirmos fazer na Quimiparque. É o elemento determinante para o desenvolvimento económico do Barreiro.”
Carlos Humberto ao Jornal “Notícias do Barreiro”, edição 3 de Setembro de 2008


Quererá o Senhor Presidente dizer com isto que “nós” temos 300 hectares, bem no centro da cidade para “atafulhar” de edifícios, como se está a fazer no local do antigo Estádio do Barreirense e na Quinta das Cordoarias?

Estará o Senhor Presidente a pensar nos 40% de fogos devolutos ou por vender, existentes no concelho do Barreiro, ou nas taxas que a autarquia pode arrecadar, com tamanho “desenvolvimento”?

(...) “A ETAR pode levar a que daqui a alguns anos se possa tomar banho no Barreiro, admito que talvez daqui a dois anos.”
Carlos Humberto ao Jornal “Notícias do Barreiro”, edição 3 de Setembro de 2008

Quem sabe, Senhor Presidente, se a ETAR não lhe permitirá tomar banho no Clube Naval daqui a alguns anos, mas para isso terá que começar a ser construída, começar a trabalhar e haverá que dar tempo a que o rio recupere. Isso não se consegue por decreto como também não se consegue construir o hotel que, o senhor, também acredita vir a existir no Barreiro daqui a... dois anos.

E se, à semelhança dos terrenos contaminados do Quimiparque, o rio também o estiver? Já pensou o que pode acontecer quando milhares de metros cúbicos de água começarem a ser atirados ao rio e os fundos lamacentos, eventualmente contaminados com metais pesados, começarem a ser revolvidos pela intensidade de tamanho caudal?

O seu executivo dispara em todas as direcções, Senhor Presidente, parecem-me aqueles caçadores que no primeiro dia de caça atiram a tudo o que mexe... e falham.

[As obras da Avenida Alfredo da Silva] “(...) Incluem, igualmente, o alargamento dos passeios, a plantação de quase uma centena de árvores próprias para zona urbana e a colocação de mobiliário urbano.”
In comunicado da CMB de 25 de Agosto de 2008

(...) Na avenida os passeios vão ser alargados em 2.5 metros cada, vão ser colocadas 100 árvores em cada um dos passeios, todas com um ponto de luz, e serão criadas três zonas de iluminação mais forte, numa avenida onde a velocidade máxima será 30 quilómetros, com o estacionamento proibido em toda a sua extensão.”

(...) “Toda a intervenção [na Av. Alfredo da Silva] tem como objectivo tornar o centro mais atractivo para peões, comércio e lazer. Queremos ser uma centralidade na Área Metropolitana de Lisboa e para isso temos que ter um centro forte e dinâmico (...)”

“Seis metros de estrada dão para passar dois autocarros ao mesmo tempo.”
Carlos Humberto em conferência de imprensa de 2 de Setembro de 2008

“Existem várias ruas do Barreiro com 6 metros onde se cruzam autocarros, mas nós acompanhamos a obra e falamos com as pessoas e decidimos alargar a estrada em mais meio metro, pois na opinião das pessoas podia haver problemas.”
In Jornal de “Notícias do Barreiro”, edição de 10 de Setembro de 2008

[acerca do alargamento de meio metro da nova avenida Alfredo da Silva] “Segundo Carlos Humberto, na rua as opiniões são ouvidas e tidas em conta, pelo que a decisão do executivo passou por conciliar a análise técnica com o sentimento da população”
In “Jornal do Barreiro”, edição de 5 de Setembro de 2008

“Características do novo centro serão ser um centro construído para o peão, onde a circulação automóvel será reduzida a 30Km/h – embora continue nos dois sentidos – e onde o estacionamento será limitado, apenas com 15 pontos de cargas e descargas, equivalente a cerca de 25 carros.”
In “Jornal do Barreiro”, edição de 5 de Setembro de 2008


(...) “para que o Barreiro cresça e seja um Concelho para trabalhar e viver”
In Primeira Opção Participada 2008 com os trabalhadores do DPGU, 2 de Setembro de 2008

“(...) prevendo-se que os trabalhos de pavimentação terminem no início de Outubro. Já no início de Novembro deverá encontrar-se concluída a intervenção nos passeios da Avenida Alfredo da Silva.”
In Comunicado da Câmara Municipal do Barreiro relativo às obras da Av. Alfredo da Silva de 9 de Setembro de 2008

(...)”concluir até meados de Outubro o que é via rodoviária. (empreitada concluída) na primeira ou segunda semanas de Novembro. [o atravessamento do Quimiparque] não estará concluído antes do fim do ano”

(As obras da Av. Alfredo da Silva) “têm decorrido muitíssimo bem e de forma profissional, apenas com um pequeníssimo atraso de dias”
Carlos Humberto em conferência de imprensa de 2 de Setembro de 2008

“A Inspecção Geral do Trabalho deslocou-se à obra a pedido do delegado de saúde do Barreiro (...). Uma vez no local tudo foi inspeccionado, motivo que levou à suspensão parcial das obras na Avenida devido às condições de segurança no trabalho.
Segundo a vereadora Sofia Martins, a razão das obras em profundidade terem sido suspensas prendeu-se com a ‘situação das valas dos colectores principais’
In “Jornal do Barreiro”, edição de 5 de Setembro de 2008

“Estavam a fazer as obras sem segurança, já tinha dado ordem para se terminar a actividade, o encarregado mandava retirar os homens do local, mas quando virava costas colocava-os lá a trabalhar na mesma.”
Os problemas segundo Mário Durval estavam relacionados com os trabalhos que se realizavam em profundidade, em valas com cerca de 4 metros e com o uso de máquinas pesadas a circularem ao mesmo tempo e no mesmo local, o que é proibido.”
In “Jornal do Barreiro”, edição de 5 de Setembro de 2008

Ah, Senhor Presidente as obras... as obras, Senhor Presidente, sinónimo de evolução e progresso, numa cidade onde os velhos são esquecidos em bairros decrépitos cheios de prédios que desafiam a gravidade.

Mas que importa isso agora, desde que o nosso Forum Barreiro se torne realidade em Novembro? Pouco importa que o acesso ao Forum Barreiro seja feito por um túnel escavado sob uma rua pública. Também pouco importa a forma como se faz o acesso e se sai dos pisos de parqueamento e tão pouco interessam os direitos dos munícipes da Rua Stara Zagora que viram o seu estacionamento destruído, sem alternativa.

“O Centro do Barreiro dentro de algum tempo será motivo de satisfação. A sua requalificação, pensamos que trará mais qualidade de vida às populações e permitirá revitalizar o comércio tradicional e consolidar aquele local da cidade como uma grande praça de socialização das gentes da nossa terra.”
In Editorial de “Informação da Câmara Municipal do Barreiro”, de Agosto de 2008

E como explicar, Senhor Presidente, que a mesma Rua Stara Zagora permaneça, praticamente desde o início das obras sem iluminação nocturna, esquecendo-se a Câmara Municipal que garantir a segurança dos cidadãos também é um dos deveres da autarquia que o senhor dirige?

E que nos pode dizer da densidade de construção da Quinta das Cordoarias? Já reparou como o construtor “oficial do regime” conseguiu esconder à sombra do Forum Barreiro um enorme empreendimento imobiliário habitacional (Quinta das Cordoarias, antigo Estadio do Barreirense e a zona habitacional do próprio Forum)?

E porque razão é a empresa Quimiparque a ceder os terrenos necessários à construção dos acessos a todo este complexo imobiliário? Como se não chegasse “partir” em dois o parque empresarial, onde trabalham cerca de 4000 pessoas e condicionar o funcionamento normal das 300 empresas que ali laboram, ainda se corta uma fatia a Poente e obriga-se a demolir alguns edifícios para permitir passar uma rua (de 6 metros?), mantendo intocável o empreendimento habitacional do Estádio do Barreirense.

Deixe-me Senhor Presidente acabar esta postagem com duas perguntas:
Porque razão se estão a colocar colectores para as águas pluviais sem, no entanto, se construírem sumidouros ou sarjetas? (Em toda a nova Avenida Alfredo da Silva existem 5 ou 6 sumidouros).

Com uma “AVENIDA” de 6,5 metros de largura, lugares de paragem para cargas e descargas com menos de 2 metros de largura, que obrigarão a que os veículos de mercadorias estacionem com parte do rodado dentro da faixa de rodagem, como irão circular as ambulâncias, carros de bombeiros e da polícia em serviço de emergência? Quem lhes dará passagem e como?

Minhas Senhoras, meus Senhores, de uma coisa não tenho duvidas: não sei se teremos um Barreiro melhor mas teremos, certamente, um Barreiro diferente!

Sempre Vosso

Captain Jack