sexta-feira, 21 de março de 2008

AS CARTAS MERECEM SEMPRE RESPOSTA

(principalmente quando não são anónimas)

É sempre com algum prazer que lemos os comentários que os nossos conterrâneos nos enviam para o blog. Esta atitude de comentar é, acima de tudo, salutar e indicativa do interesse que todos devemos alimentar face ao que, no dia-a-dia, se passa à nossa volta.

Devemos, pois, estimular esta participação mesmo quando ela critica as nossas atitudes e manifesta uma opinião contrária à nossa. Devemos, no entanto, corrigir conclusões e juízos que, erradamente, se produzam sobre as nossas pessoas ou as ideias que defendemos.

A última postagem, datada de 16 de Março 2008, suscitou alguns comentários (que podem ser lidos se seleccionarmos a opção para o efeito, por baixo do texto respectivo).

O primeiro comentário é, ao que parece, uma fiel e bem informada transcrição do discurso do Presidente Carlos Humberto, lido em 14 de Março no Mercado 1º de Maio, na jornada de luta “O Barreiro pela Ponte”, que reuniu 300 barreirenses. Este comentário chegou até nós a 18 de Março e está publicado, na íntegra, no Jornal do Barreiro, na sua edição de 21 de Março.

Está assim demonstrada a nossa importância como blog e a confiança que alguns barreirenses depositam em nós, uma vez que nos confiam, em primeira-mão, as notícias que publicam nos jornais locais. Aqui fica o nosso muito obrigado.

Outro comentário feito a 19 de Março, esse sim que merece a nossa reflexão, é de um militar que assina sob pseudónimo (Major droMedÁRIO Lino) e que a seguir transcrevemos.

Meu Major, desculpe que lhe abra o coração mas, com um nome desses ou o senhor seu padrinho gostava muito de Lawrence da Arábia ou o meu Major foi vítima de um lamentável erro de escrita do empregado do registo civil.

Leia-se o texto, atente-se na substância e no conhecimento subjacente às matérias versadas, para perceber como está informado o nosso Major:

Caro Capitão
Muito me admira a sua idolatria pelo Viegas.
O Barreiro já tem uma ponte em crédito. A PVG era para ser construída no Barreiro. Mas o Lobie do Betão e do Alcatrão foi mais forte. A Lusoponte e o seu Viegas ganharam.O país perdeu.

Não resolveu o problema dos congestionamentos na P25A. Não resolveu a ligação Norte-Sul (Prova: A construção da Ponte Benavente-Santarém para ligar a A1 com a A2).Não resolveu o problema das ligações ferroviárias. A Via Férrea implantada na P25A acrescenta +30m no tempo de viagem para Alentejo e Algarve.
Agora o "seu" Viegas esfalfa-se para conseguir que o Montijo ganhe +2 Pontes, uma Beato-Montijo só ferroviária, outra Montijo-Barreiro que tem dias, num dia é Ferroviária, no dia seguinte é Rodoviária. Mas, como a construção do NAL e da Base Logística do Poceirão gerarão mais tráfego, terá de ser construída + 1 travessia (Algés-Trafaria).
Isto é 3 Travessias em vez de 1.
Já começa a perceber o que faz correr o passarão do Viegas? É claro que os patrões facturarão muito mais em 3 travessias do que numa única travessia.
O Capitão é contribuinte?
Adivinhe então quem pagará as travessias Ferroviárias Beato-Montijo e Montijo-Barreiro?O Zé, claro! ou seja, o OGE.
Uma Ponte Integrada de Lisboa a Chelas será paga pelas Portagens (60 a 90% em 10 anos de exploração!Diga-me Capitão:
Você é mesmo Camarro? Ama o Barreiro. Então porquê esse ódio ao Barreiro?
Com a desindustrialização, com o desinvestimento provocadas pela descolonização e pela apressada adesão à CE, o Barreiro definha. Perde habitantes.
As Zonas antigas transformam-se em Cidades Fantasma.
Desertas.Como inverter a situação?
Promover a instalação de novas indústrias no Barreiro!
Certo!Mas quem será o estúpido que vem instalar indústrias no Barreiro se, para recolher matérias primas ou entregar produtos manufacturados terá de gastar +50 Km por viagem?

Olha Capitão:
Não sei se reparaste! A Linha Férrea para as Praias do Sado sai do Barreiro (Sul e Sueste) e passa no Lavradio. A Linha que leva o combóio até ao Alentejo e Algarve passa na Penalva.- Então porque é que o Viegas quer levar os combóios para o Montijo? Que não tem qualquer linha de Combóio? (O Ramal Montijo-Pinhal Novo morreu!)
E já imaginaste o que será o Montijo com a amarração de 3 Pontes? (PVG, Beato-Montijo e Barreiro-Monijo)!E aceites que se feche a Baía da Moita/Rosário com este labirinto de Pontes Transversais e Longitudinais?
Caro Capitão
Precisas ler mais. Para começar, recomendo que comeces pelo Projecto do Eng Silvino Pompeu dos Santos.
Que leias a argumentação da RAVE e da AML (PROTAL).
E precisas pensar mais no Barreiro.
Não te maço mais.
Saudações Castrenses do
TeuMajor droMedÁRIO Lino

19 de Março de 2008 07:19

Meu Major,
Confesso que o erro é meu e desde já lhe peço imensa desculpa.
As imagens que juntei ao texto de 16 de Março não permitem (devido à quantidade de informação de que dispõem) ser aumentadas para que se possa ver melhor o traçado proposto pelo grupo de trabalho do Prof. Viegas, caso contrário veria que não há “labirinto de Pontes Transversais e Longitudinais” frente à baía da Moita/Rosarinho.

Tão pouco a linha-férrea ligará ao Montijo (a não ser a de alta velocidade) mas sim ao Lavradio onde entronca na existente, que recupera a sua capacidade de ligação ao Sul do país, perdida para o Pinhal Novo.

Quanto ao pagamento da ponte Chelas-Barreiro com o dinheiro das portagens, em 10 anos de exploração, o meu Major lá saberá melhor que eu, esse aspecto, mas olhe que a PVG, menos extensa que esta tem um período de concessão bem maior e, dez anos volvidos após a sua abertura, ainda não está paga nem em metade e tem a facturar para ela a P25A.

Também não percebo como faz as contas aos 50Km de percurso quando actualmente Barreiro-Lisboa seja pela PVG ou pela P25A não atingem esta extensão e a opção “do Viegas”, como lhe chama, encurta-a em 13Km. Mas, mesmo que continuássemos tão longe como diz, estaremos sempre mais perto que a Espanha, para quem as distâncias não interessam quando nos inundam o mercado com os seus produtos, desde o peixe fresco à laranja, passando pela cerâmica, materiais de construção e outras manufacturas.

A distância, no mundo global em que vivemos, não é problema, mas 30 mil viaturas, diariamente, a passarem pelo Barreiro, em direcção a Lisboa, comboios a passarem pela cidade, sem parar, porque, meu Major, esqueceu-se de dizer que as actuais estações ferroviárias do Lavradio e do Barreiro-A e Barreiro-Mar vão desaparecer para dar lugar a uma única estação na várzea do Lavradio, junto ao Álvaro Velho (que vai ser demolido).

É aí que se fará a inserção dos comboios na linha do Alentejo e a praça da portagem da ponte Chelas-Barreiro será entre o estádio Alfredo da Silva e o campo do Galitos Futebol Clube. Que bom que deve ser, meu Major, ver as filas de trânsito e os engarrafamentos ao amanhecer, aspirar o aroma do dióxido de carbono … (se pertencer ao exército deve lembrar-lhe, vagamente, o cheirinho do Napalm, hein?!).

Para que não tenha dúvidas do que digo junto a planta do traçado das infraestruturas na margem Sul, que por acaso não pertence ao projecto do Prof. Pompeu dos Santos, (porque ele não fez nenhum projecto), mas ao seu relatório sobre a TTT intitulado “Plano Integrado para o Novo Aeroporto de Lisboa, Rede TGV e Terceira Travessia do Tejo”, datado de 19 de Novembro de 2007.

Aproveito para juntar também o perfil longitudinal estudado para a ponte em causa, com tabuleiro de 10metros de altura e a amarrar no Barreiro a cerca de 20metros acima da linha de água o que é suficiente para passarem botes de borracha dos fuzileiros mas inviabiliza a circulação de navios de carga ou de passageiros, no Mar da Palha. Claro que isso para si não é importante porque o meu Major não “alistou praça” na Marinha.

Para não ter dúvidas de que se tratam de imagens fidedignas juntei também a infografia que o “Sol” publicou na sua edição de hoje, onde se podem comparar traçados e perfis das pontes, as suas distâncias e os pontos de chegada ao Barreiro.

A ponte/túnel (mais provável a segunda hipótese, se bem que enormemente mais cara), não se impõe porque “a construção do NAL e da Base Logística do Poceirão gerarão mais tráfego”, mas antes porque a P25A já se encontra saturada, sendo a travessia mais barata, atrai mais utentes e a zona que serve é mais populosa e continua com tendência para crescer, uma vez que também é mais industrializada.

Com o Quimiparque a transformar-se na nova “centralidade do Barreiro, uma nova cidade” como diz o Presidente Carlos Humberto acerca do Plano de Reconversão deste território, parece-me que a tendência dificilmente se inverterá e continuaremos a ter “o Barreiro (que) definha. Perde habitantes. As Zonas antigas transformam-se em Cidades Fantasma. Desertas.”

Relativamente à criação de novas empresas ambas as soluções nos servem já que ambas consideram o aproveitamento das oficinas de manutenção do TGV no Barreiro.

Mas há um ponto, meu Major, em que convergimos na opinião. É quanto ao pagamento da nova Terceira Travessia do Tejo. Sem dúvida que será o Zé a pagar e isso é razão suficiente para que se pense muito bem antes de fazer qualquer opção e olhe que se olharmos só para isso a opção Barreiro-Montijo-Beato, ganha com 1M€ de avanço.

Independentemente de qual das soluções gostamos mais, por amarmos o Barreiro ou por o detestarmos como é, por querermos muito mudá-lo para melhor ou deixá-lo como está, por seguirmos um partido político ou por simplesmente não confiarmos em nenhum deles, seja qual for a razão, parece-me que devem ser os cidadãos a pensar pela sua cabeça e a propósito apetece-me recordar as palavras do “seu” Prof. Pompeu dos Santos, que deu a cara pelo aeroporto na margem sul:

Quando está em curso um estudo com vista à escolha definitiva da localização do Novo Aeroporto de Lisboa, seria um erro histórico não considerar nesse estudo aquela que se afigura como a melhor solução, e a que melhor serve os interesses do país. Quando os recursos são escassos, racionalidade (e rigor) é preciso. O interesse público assim o exige”.
(Extracto de um artigo publicado na “Transportes em Revista”, de Agosto de 2007)

O meu Major dá licença? (Gesto levando a mão à testa, com a palma ligeiramente virada para fora e barulho dos tacões das botas a bater um no outro. Meia volta e retiro-me)

Captain Jack

PS – A sua letra não me é estranha. O Meu Major não fez serviço no Afeganistão?
(Integrado no contingente português, claro.)

domingo, 16 de março de 2008

OUTRA PONTE, A MESMA MARGEM

(e dentro de pouco tempo haverá também um túnel)


No meio da disputa sobre onde localizar a nova travessia do rio Tejo, estão a cidade do Barreiro e os seus habitantes.

Agitam-se as forças políticas da margem Sul, multiplicando-se em apoios e discursos generosos quanto à vantagem de adoptar a solução primeira sem sequer, como vem sendo característico nestes últimos trinta anos de desacerto nacional, se preocuparem em analisar o assunto do ponto de vista do interesse nacional

Vão a Barcelona e a Dublin beber exemplos para Planos de Reconversão de áreas urbanas, tiram as medidas aos locais de onde querem copiar as ideias mas esquecem-se de estudar a essência, ignoram por completo a metodologia do trabalho e o objectivo do trabalho desenvolvido nessas cidades.

Foi assim com os terrenos do Quimiparque, tentam que seja assim com a nova travessia do rio Tejo, defendendo sem reservas, uma solução proposta há mais de 10 anos, como se de estudar outras alternatias adviesse mal o Mundo.

Lembrei-me por isso de consultar o site da TIS – Transportes, Inovação e Sistemas, SA (www.tis.pt), empresa privada presidida pelo Prof. José Manuel Viegas que, desde 12 de Março de 2008, colocou ao dispor do público o estudo elaborado por esta entidade considerando outra alternativa para a travessia do rio.

O que adiante se transcreve são os trechos que se consideraram significativos para detalhar a proposta apresentada ao LNEC para ser analisada em comparação com a proposta inicial, Barreiro-Chelas.

A equipa de José Viegas começa por explicar que “O aprofundar das soluções de travessia sempre foi por nós considerado como necessário, na medida em que o objectivo principal do relatório elaborado para a CIP era o de demonstrar a superioridade da opção Campo de Tiro de Alcochete para a implantação do aeroporto, e as propostas de acessibilidades (entre as quais as relativas à travessia do Tejo) tinham o propósito único de mostrar que se tinha trabalhado a concepção também ao nível da viabilidade e integração do sistema de transportes e não do aeroporto como peça isolada.

Esta questão foi reforçada atendendo a que a “implantação do NAL no Campo de Tiro de Alcochete constituía um factor suficientemente forte para questionar se seria ou não possível encontrar um alinhamento mais adequado para a nova travessia, na medida em que era óbvio o forte desalinhamento entre o que poderia ser a linha mais curta para acesso ao aeroporto e o traçado previsto para a ponte Chelas – Barreiro, sendo claro que há uma banda de terreno relativamente estreita em Lisboa por onde uma linha ferroviária possa dirigir um seu ramal para a Linha de Cintura e outro ramal para a Gare do Oriente e Linha do Norte”.

Tendo por base uma série de requisitos, foi “face a essa lista de factores que surgiu a solução híbrida apontada no anterior estudo para a CIP, com uma travessia principal apontada à península do Montijo e uma secundária entre aquela península e a do Barreiro”.

Explica-nos o relatório que foram considerados vários requisitos a que a TTT deveria dar resposta no que ao transporte ferroviário diz respeito, nomeadamente:

- Ligação em bitola UIC para serviços de Alta Velocidade em direcção a Madrid (compromissos datados com Espanha);
- Ligação em bitola convencional para serviços suburbanos entre Lisboa e Península de Setúbal (reforço da quota de mercado do transporte colectivo na AML, redução de emissões);
- Ligações de boa qualidade ao Novo Aeroporto de Lisboa, implicando tempos reduzidos e elevadas frequências de serviço e desejavelmente sem transbordos para a grande maioria dos potenciais clientes (qualidade integrada de serviço, segurança, redução de emissões).
- Ligação em bitola convencional para serviços de médio e longo curso sobre as linhas do Alentejo e do Sul (fecho da rede e forte ganho de tempo nas ligações de longo curso).

Aspectos que se tornam igualmente importantes para o transporte de mercadorias, uma vez que a ligação em bitola UIC á rede espanhola garante “capacidade de recepção de cargas provenientes da Plataforma Logística do Poceirão, e dos portos de Sines e Setúbal a sul do Tejo (grande ganho de fiabilidade nos tempos de percurso por virtude da interoperabilidade do sistema entre os dois países)” e permite, “no futuro a alimentação destes fluxos também a partir da margem direita do Tejo, sem ter de ficar à espera da mudança geral de bitola na rede ferroviária portuguesa ou de fazer circular todos esses comboios de mercadorias (desde a sua origem na margem direita) no par de vias de bitola ibérica para o efeito algaliada"

Por outro lado a ligação em bitola convencional à rede a sul do Tejo permitesem restrições de carga (ganhos significativos de capacidade e redução significativa dos percursos dos comboios entre as duas margens, com redução do tráfego entre o Setil e Lisboa)
”.

Do ponto de vista rodoviário a equipa do Prof. Viegas considerou a necessidade de:
“- Assegurar uma ligação eficiente entre o corredor Barreiro - Moita e Lisboa/Desencravar o corredor Barreiro - Moita (equidade no acesso a Lisboa a partir dos principais aglomerados na margem esquerda);
- Assegurar um conjunto de ligações equilibrado e eficiente entre as duas margens do Tejo a jusante da Ponte do Carregado, sobre a qual recai a missão de ligações rodoviárias de âmbito nacional sem travessia da AML;
- Serviço de boa qualidade (com muito baixo risco de congestionamento) nas ligações da margem esquerda do Tejo ao Novo Aeroporto de Lisboa.
- Manter sob controle o afluxo de tráfego rodoviário a Lisboa (vindo quer da margem direita quer da margem esquerda) e o congestionamento e emissões associadas, como instrumento de promoção da qualidade de vida e da competitividade económica na cidade e na AML
”.

O efeito desta travessia no Ordenamento do Território, no Estuário e no funcionamento do Port de Lisboa foram também considerados, no que respeita aos seguintes aspectos:
“- Ao nível meso, da margem esquerda no seu conjunto e do que ela representa na AML, considerando as orientações do PROT-AML e tendo em especial atenção as questões do modelo urbano polinucleado e da promoção da qualificação e diversificação funcional dos aglomerados da península de Setúbal, e da redução da dependência dos aglomerados ribeirinhos relativamente a Lisboa;
- Ao nível micro, dos locais em que se fará a amarração da infra-estrutura sobre os territórios de uma e outra margem, tendo em atenção as questões da digestão do tráfego rodoviário na rede viária local, os efeitos de barreira que possam ser criados pelas grandes infra-estruturas, e ainda os impactos visuais da implantação destas nos tecidos urbanos que atravessam.
- Impacto visual das infra-estruturas (sobre o rio e nas margens) na qualidade visual da paisagem das margens sobre o estuário e vice-versa (com significado sobre a qualidade de vida nestas cidades e sobre o seu potencial turístico);
- Impactos (ou riscos de impacto) sobre o ecossistema do estuário associados às dragagens necessárias, em particular em zonas de acumulação de metais pesados.
- Impactos da nova travessia nas infra-estruturas e na operacionalidade do Porto de Lisboa, considerando quer as obras necessárias nos cais para compatibilização com as infra-estruturas da travessia, quer as limitações operacionais que possam ser criadas (navegabilidade, espaços de manobra)
”.

Mais adiante o Estudo descreve a solução adoptada para a travessia. Aqui recorreu-se a uma descrição detalhada que pode ser consultada no “Relatório Síntese”:

Perfil Transversal tipo a considerar na travessia Beato – Montijo – Solução Ponte



A ponte é concebida como uma ponte ferroviária com dois pares de vias em níveis sobrepostos (BitolaUIC no nível superior e bitola ibérica no nível inferior) com a possibilidade de adição (imediata ou posterior) de uma valência rodoviária no nível superior"
(…)
No que respeita à infra-estrutura ferroviária a solução Beato – Montijo apresenta as seguintes características principais:
"À chegada a Lisboa, o par de vias em bitola UIC é dirigido para a linha do Norte, atingindo a zona de inserção um pouco a norte da estação de Braço de Prata, enquanto o par de vias em bitola ibérica tem uma bifurcação, saindo um ramo também para a Linha do Norte e outro para a Linha de Cintura e eventualmente Santa Apolónia;
A chegada à margem esquerda é feita na península do Montijo, dando origem de imediato a uma bifurcação, com o ramo norte a dirigir-se para o alinhamento da A12 à saída da Ponte Vasco da Gama, passando em túnel escavado por baixo da pista 01/19 da BA6, e o ramo sul a dirigir-se ao longo do limite externo da BA6 para a península do Barreiro, onde chega na zona do Lavradio tocando a zona hoje ocupada pelos terrenos da Quimiparque:
Para a transposição entre o Montijo e o Barreiro podem ser adoptadas soluções em túnel imerso ou em ponte para vencer o Canal do Montijo, sensivelmente com o mesmo traçado em planta, e incluindo em qualquer dos casos uma componente rodoviária com 2 x 2 pistas, que constitui um trecho importante do Arco Ribeirinho entre os principais aglomerados da margem esquerda do Tejo e que além disso proporciona um muito significativo encurtamento (13 km a menos) na distância de acesso rodoviário do Barreiro a Lisboa pela Ponte Vasco da Gama, cerca de 30% da distância total até à Gare do Oriente. A solução em ponte é mais económica, mas implica a construção de um longo viaduto ao longo da linha de costa da península do Montijo, por forma a garantir o tirante de ar de 20 m A solução em túnel imerso poderá ser um pouco mais onerosa e implica a realização de dragagens de fundos do rio numa zona potencialmente contaminada com metais pesados (situação idêntica ao que sucede com a ponte Chelas-Barreiro nos seus primeiros 2km a partir do Barreiro).
Neste caso, em boa parte do seu desenvolvimento ao longo da península do Montijo, este traçado pode ser em vala, com a cota de inserção da catenária muito próxima da actual superfície do terreno, ficando disponíveis graus de liberdade relativos à área a cobrir e ao tipo de cobertura dessa vala;
A componente rodoviária desta travessia Montijo – Barreiro segue ao lado da componente ferroviária em todo o seu percurso, quer em direcção ao Barreiro, quer em direcção ao Montijo, onde ainda passaria lado a lado por baixo da pista 01/19, dirigindo-se a um nó no cruzamento com a EN 199, em que o tráfego destinado ao Montijo se dirige para sul e o tráfego destinado à Ponte Vasco da Gama se dirige para norte (com uma nova praça de portagem, que também serviria o Montijo);
A chegada da linha ferroviária ao Barreiro é feita no alinhamento da actual linha de mercadorias que corre sensivelmente na direcção nordeste – sudoeste por forma a dar acesso ao PMO, havendo pouco depois da chegada a terra uma bifurcação para ligação à linha do Alentejo na zona do Lavradio e Baixa da Banheira. As cotas na travessia desde o Montijo, quer da solução túnel quer da solução ponte, permitem que essa chegada ao Barreiro na sua zona industrial seja feita à superfície ou enterrada.


Esta solução, segundo os seus subscritores, permite ainda “equacionar a existência de uma estação à chegada da península do Barreiro (na zona do Lavradio), (…) potenciando uma intervenção urbanística requalificadora em torno desta infraestrutura de transporte, situação impossível com o traçado adoptado na solução Chelas – Barreiro.

Relativamente à solução rodoviária esta proposta prevê que ”A componente rodoviária desta travessia Montijo – Barreiro segue ao lado da componente ferroviária em todo o seu percurso, quer em direcção ao Barreiro (onde se dispõe de espaço para fazer o acesso à cota do terreno em boas condições de inserção urbanística e na malha local, com ligação fácil à Avenida das Nacionalizações, ao IC 32 e ao núcleo urbano mais denso), quer em direcção ao Montijo, onde ainda passaria lado a lado por baixo da pista 01/19, dirigindo-se a um nó no cruzamento com a EN 199, em que o tráfego destinado ao Montijo se dirige para sul e o tráfego destinado à Ponte Vasco da Gama se dirige para norte (com uma nova praça de portagem, que também serviria o Montijo e Alcochete, satisfazendo assim uma ligação que vem sendo reclamada desde a construção da ponte, e que significa uma redução de 5 km no acesso do Montijo à margem norte)”.


A travessia Beato – Montijo pretende ser (e em nosso entender é) um híbrido entre os corredores nascente e central, servindo o Barreiro pelo flanco em vez de pela frente, mas dando-lhe um nível de acessibilidades ferroviárias quase idêntico, sem os inconvenientes de agressão do seu espaço urbano que uma penetração frontal teria. Mantém-se assim bem satisfeito o princípio da serventia ferroviária no trecho central da margem esquerda do estuário”.
(…)
Defendemos entretanto também a ligação rodoviária entre o Barreiro e o Montijo, com ligação desde o primeiro momento à Ponte Vasco da Gama. Esta grande flexibilidade e adaptação prudencial às necessidades e vicissitudes da economia e da sociedade é uma das grandes qualidades da Ponte Beato - Montijo - Barreiro, que incorpora os mesmos princípios de prudência e de flexibilidade presentes na nossa proposta de implantação do NAL no CT Alcochete.


Igualmente interessante é também a comparação de custos, avançada neste documento, entre a travessia Igualmente interessante é também a comparação de custos, avançada neste documento, entre a travessia Barreiro-Chelas e esta Barreiro-Montijo-Beato:
Barreiro-Chelas
Ponte e Viadutos (rodo e ferroviários) ...................................................1.750M€
Túnel Ferroviário Marvila ............................................................................20M€
Túnel Ferroviário Lavradio ........................................................................150M€
Obras Compensatórias:
Extensão Terrapleno Xabregas-Poço do Bispo
Transferência do cais da Tanquiport ........................................................300M€
Majoração valor das Dragagens ...................................................................50M€
Majoração custo Subestrutura Ponte
prevendo risco de impacto de navio ............................................................60M€
Aumento comprimento Linha AVF .............................................................70M€
Total Quantificado: ......................................................................................2.400€
Barreiro-Montijo-Beato
Ponte e Viadutos (rodo e ferroviários) ..................................................1.225M€
Ponte Montijo-Barreiro ..............................................................................100M€
Túnel Rodoviário sob Pista 01/19 BA6 Montijo ........................................50M€
Minimização de Impactes e de drenagem de efluentes ..............................5M€
Total Quantificado: ...................................................................................1.380M€

O documento da empresa TIS – Transportes, Inovação e Sistemas, SA, termina com uma comparação entre as duas soluções (Barreiro-Chelas versus Barreiro-Montijo-Beato) enumerando as vantagens que a segunda tem sobre a primeira.

Por opção, essa parte do estudo não foi para aqui transposta uma vez que se pretende que cada um dos leitores pense por si, sem ser condicionado pelas opiniões dos técnicos que elaboraram esta proposta, (como fizemos quando há algumas postagens atrás apresentámos o estudo da travessia Barreiro-Chelas).

Solução TIS Beato-Montijo-Barreiro

A postagem de hoje versou a nova proposta para a TTT, mas a comparação entre o Plano de Reconversão do Quimiparque e o Poblenou (Barcelona) ou as Docklands (Dublin), que serviram de base ao estudo para abrir o Barreiro à especulação imobiliária, não está esquecida, pelo que, senhores meus, minhas senhoras, este vosso amigo vai voltar a escrever sobre isso, palavra de

Captain Jack



domingo, 2 de março de 2008

O EUROMILHÕES SAIU Á QUIMIPARQUE

(ele há dias de sorte …!)

Hoje, ao escrever estas linhas, invade-me um sentimento de tristeza e de receio pelo futuro dos meus filhos.

Hoje, 20 de Fevereiro de 2007, acabei de receber a notícia de que, há pouco menos de 2 horas, a Câmara Municipal do Barreiro, aquela que foi eleita por todos nós num processo de votação democrático, aprovou o “Estudo de Desenvolvimento Económico, Empresarial e Urbanístico para o Território da QUIMIPARQUE e Envolvente”.

Apetece perguntar se estavam mandatados para isso e se esclareceram suficientemente a população ou se receberam deles a prova inequívoca de que o deveriam fazer. Apetece perguntar se a participação dos munícipes, nas várias sessões que fizeram durante o suposto período de consulta pública, foi representativa dos 70000 habitantes do concelho do Barreiro.

Apetece ainda perguntar onde, a não ser no site da Quimiparque – Parques Empresariais SA, a população tinha acesso ao estudo elaborado, uma vez que não há nenhum link no site da Câmara Municipal do Barreiro. Não era/é suposto/conveniente/obrigatório/necessário haver?

A aprovação do Estudo foi, no entender do Presidente da Câmara do Barreiro, “um passo de gigante na estratégia para o desenvolvimento do futuro do Barreiro”.

Continuo a pensar que o Sr. Carlos Humberto, com quem já tive oportunidade de conversar várias vezes, é uma pessoa honesta e que gosta do Barreiro tanto ou mais que eu. Acredito mesmo que se tenha debatido entre, fazer a vontade ao coração ou aos seus ideais políticos. Ganharam os ideais políticos que viram nas taxas para construção a oportunidade de ajudar as finanças da autarquia e indirectamente as finanças do Partido.

Criado no Barreiro, Carlos Humberto, conheceu bem a cidade nos seus anos de ouro, quando os concelhos de Palmela, Seixal, Moita e Montijo, ainda sem cinemas e piscinas, olhavam com inveja esta vila onde a CUF e a CP davam trabalho, ajudavam a construir escolas, mantinham dois clubes de futebol na primeira divisão do campeonato, e onde havia um tanque de natação que na altura, como ainda hoje, a ele nos referíamos como “Piscina Municipal”.

Carlos Humberto ainda se recorda, certamente como esta cidade possuía dezenas de colectividades com uma actividade cultural e recreativa intensa, como chegavam à estação do Barreiro Mar, gente de todos os lados do país atraídos pela prosperidade das fábricas e do comércio local, acompanhados pelo sonho de poderem ser funcionários da CUF, da Lisnave ou da Siderurgia.

Carlos Humberto não se deve ter esquecido destes tempos em que a CUF deu terrenos e materiais para construir escolas, bairros de habitação social e até estádios de futebol, (um dos quais está agora a ser demolido para dar lugar a edifícios!).

Foi no Barreiro que se fez o ensaio para construir o Hospital da CUF, que ainda hoje existe e é referência, não só no país mas também no estrangeiro.

E duvido que Carlos Humberto não saiba que, por vontade de Alfredo da Silva, a CUF instituiu um complemento de reforma vitalício para os velhos funcionários da empresa que hoje, quase setenta anos volvidos sobre a sua morte, os seus trinetos ainda o mantém, respeitando-lhe a vontade.

Duvido, mesmo, que Carlos Humberto não saiba mais sobre Alfredo da Silva, a CUF e a importância desta para o Barreiro e para a sua população que a actual Administração da Quimiparque.

Carlos Humberto é do Barreiro, é barreirense. A Administração da Quimiparque não pertence ao Barreiro e só cá deverá ter vindo para conhecer o local para onde foram nomeados administradores e continuam a vir porque ainda desempenham essas funções. Acredito que, da mesma forma, aceitarão ir para Freixo de Espada à Cinta se para lá forem nomeados como administradores de outra qualquer empresa do Estado.

Por isso, como gestores públicos que são, funcionários do Estado às ordens da Parpública, o accionista da Quimiparque, não admira que tenham, nestes últimos cinco anos, feito o possível por atingir os objectivos que lhes foram impostos:

Promover as condições necessárias à valorização do património imobiliário da sociedade, designadamente através da dinamização dos processos de aprovação por parte das entidades públicas competentes dos instrumentos de ordenamento do território, e da concretização de acções de requalificação ambiental.

Preparar a reestruturação da empresa visando a segregação dos negócios de gestão do parque empresarial e de promoção e desenvolvimento imobiliário.

Consolidar a situação financeira da empresa através de racionalização dos custos e do crescimento dos resultados dos negócios, potenciando o seu contributo para o objectivo de criação de valor para o accionista.”
www.parpublica.pt/docs/Ojectvigestaoemprcontrolada.pdf

A administração da Quimiparque SA cumpriu o seu dever. Será recompensada pelo accionista, certamente – os BMW’s passarão a ser de modelo superior, os vencimentos maiores e o plafond do cartão de crédito será reforçado – mas o Barreiro ficará mais pobre e mais cidade dormitório do que nunca, com a aprovação deste “Estudo de Desenvolvimento Económico, Empresarial e Urbanístico para o Território da QUIMIPARQUE e Envolvente”..

Por isso não percebo como pode Carlos Humberto, por um lado preocupar-se com o futuro dos 294 funcionários da AP – Amoníacos de Portugal, SA e, por outro, regozijar-se com a criação de condições para que o Quimiparque possa ser dividido, retalhado, destinando mais de metade do seu território à especulação imobiliária (também está prevista habitação para a zona B), sem pensar que isso afecta 4000 postos de trabalho.

Sr. Presidente como pode o estudo aprovado “favorecer a instalação de novas actividades económicas modernas que aproveitem a vocação e a mão-de-obra industrial do Barreiro” se em quase metade do território se propõe autorizar construção para habitação? Onde estão, neste tipo de ocupação, as actividades económicas modernas e o aproveitamento da mão-de-obra industrial do Barreiro?

Como se pode dizer – desculpe o termo Sr. Presidente – uma “patacoada” destas quando o território a destinar para construção de habitação é exactamente aquele onde estão instalados clientes do Quimiparque tão importantes como a Sovena, a Tecnibus, a Wartsila Portugal, a Anglex, ou a Flexipiso?

O Sr. Presidente Carlos Humberto certamente sabe o que são estas empresas mas, para aqueles que nos lêem, deixem-me, muito rapidamente, esclarecê-los:
A Sovena produz entre outros produtos o conhecido Óleo Fula e o azeite Oliveira da Serra.

A Tecnibus é um importante reparador nacional de veículos pesados de transporte de passageiros, responsável, entre outras, pelo restauro e reparação de alguns autocarros da frota dos TCB.

A Wartsila Portugal, faz parte da importante Wartsila Corporation uma empresa finlandesa que equipa, com motores, um em cada dois navios que cruzam os mares do mundo inteiro.

A Anglex, é uma empresa que exporta para todo o mundo os anzóis que produz nas instalações do Barreiro e que equipam as mais importantes frotas pesqueiras desde Espanha ao Japão.

A Flexipiso produz, em exclusivo, os conhecidos pisos anti-impacto que equipam os parques infantis de todo o país e começou recentemente a produzir, em exclusivo, rails flexíveis, para protecção de motociclistas.

Carlos Humberto, Presidente da Câmara do Barreiro, que frequentou, na altura o único liceu da cidade, que habita no centro, a dois passos do Quimiparque, disse ainda que este “Plano” vai “recuperar e valorizar a frente ribeirinha e a sua relação com Lisboa” e “criar uma rede de espaços públicos qualificados”.

Haverá espaço para tudo isto depois do “Plano” de especulação imobiliária e da voracidade manifestada pela CMB pelas taxas de construção a cobrar? E como acreditar que será no Quimiparque que se vão criar espaços públicos de qualidade quando nem sequer se sabem aproveitar as potencialidades da “Avenida da Praia” ou do “Barreiro Velho”?

Será que “estamos” a contar com a boa-vontade da Quimiparque e APL para continuar a fazer “grandes obras” de melhoramento, enquanto os assessores pagos a 3000euros/mês consomem as verbas que a Câmara Municipal poderia aplicar na recuperação e melhorias, por exemplo, de pequenos espaços do Barreiro Velho?
Será, Carlos Humberto, que podemos acreditar, que ao cabo de trinta e tal anos de manifesta incapacidade, vários compadrios, oportunismo e aproveitamento pessoal, que agora vai ser diferente? Porquê, o que é que mudou?




Entre o texto dos parágrafos anteriores, e o dos seguintes mediaram alguns dias. Foi o tempo necessário para conseguir recolher, a partir do site da Câmara Municipal, a imagem ao lado.

Apresenta, na forma gráfica, a proposta de Reconversão do Quimiparque e zona envolvente, considerando esta última como uma faixa da cidade, desde o futuro Fórum Barreiro, até à actual estação fluvial, que transforma em marina de recreio.

Como veremos nas postagens seguintes é, na verdade, um modelo muito parecido com o de Barcelona 22@, como nos disse Augusto Mateus, embora neste caso o grande centro comercial não esteja junto ao rio, mas bem no meio da cidade e a via diagonal catalã seja mais uma curva barreirense, que se baptizou como estrutura ecológica urbana.

Não deixa, contudo, de ser curioso como se define, já com algum rigor, a geometria da futura marina mas não se arrisca o esquiço do futuro interface fluvial/Metro Sul do Tejo, antes se opta por manter as estruturas existentes da antiga Nutasa, destinando a este equipamento, precisamente a zona do rio que não permite a atracagem dos barcos da Soflusa.

Também é interessante ver como a grande praça de água é afinal o cais existente da Atlanport e como a grande praça, espelho do Terreiro do Paço na margem sul, anunciada pelo Prof. Augusto Mateus, dá lugar a uma série de quarteirões habitacionais, muito bem definidos, fazendo assim “a valorização da relação privilegiada com o rio”, como nos apresentou o Arqº Tomás Salgado.

Outro aspecto interessante, desta proposta e que não tinha sido ilustrada até agora, tem que ver com o Metro Sul do Tejo. Repare-se que esta infra-estrutura se movimenta pelo interior da cidade, passando pela futura marina de recreio, o Fórum Barreiro, o futuro terminal fluvial, alimentando a zona destinada a actividades económicas do Quimiparque, para chegar à estação, a construir, na actual escola Álvaro Velho.

Eis uma proposta interessante que permite criar uma ligação ao interior da zona de actividades económicas do Quimiparque, permitindo estimular a actividade das empresas instaladas e criar uma atracção maior para potenciar este local como área de negócios.

Esta proposta cria contudo um enclave denominado Bairro das Palmeiras que, apesar de ser zona envolvente, não merece ser contemplado neste Plano de Reconversão, parecendo mesmo ser ignorada um anterior cenário onde, contíguo ao bairro, para nascente, seria cedido um terreno com 14 hectares para desenvolver habitação social e onde seriam instalados os actuais moradores deste bairro.

Continuo a pensar que a aposta é errada. Começámos a “construir a casa pelo telhado”. Em meu entender não se deveria apostar na construção de habitação para trazer ao Barreiro maior centralidade. Não é a existência de habitação que nos trás qualidade de vida nem sustentabilidade, mas sim a existência de emprego capaz de gerar mais-valias. Se não apostarmos na criação de emprego, atraindo empresas, dando-lhes incentivo e condições para se fixarem no Barreiro, nunca teremos sustentabilidade, qualidade de vida, nem outra coisa que não seja um imenso dormitório.

A revisão do PDM continua com alguns anos de atraso e não deverá estar concluída tão cedo. Basta tentar aceder ao link respectivo no site da Câmara Municipal para se perceber que algo se passa com esta revisão.

Em meu entender deveriam ter sido criadas zonas de protecção e expansão, junto ao rio (aquelas que estão, nesta proposta, ocupadas com habitação) que ficariam temporariamente ocupadas com zonas verdes dedicadas à pratica desportiva e actividades ao ar livre, eventualmente palco de actividades a dinamizar por colectividades e associações, até se fazer notar a sua falta, fosse para habitação fosse para albergar empresas.

Muita água passará por debaixo desta ponte a que chamamos Terceira Travessia do Tejo, mesmo até porque ainda não sabemos a sua localização definitiva. Embora mais interessante para nós a alternativa Chelas-Barreiro, tecnicamente outras soluções se apresentam mais atractivas, até do ponto de vista ambiental.

Com uma taxa de 40% de fogos desocupados ou devolutos nas freguesias do Lavradio e Alto do Seixalinho só justifica construir mais habitação se conseguirmos atrair mais população, mas para isso é necessário criar emprego.

Por estas razões apostar na criação de zonas habitacionais junto ao rio será desperdiçar a hipótese de criar, aproveitando as infra-estruturas existentes do Quimiparque e melhorando-as onde for necessário, uma zona geradora de emprego, com a instalação de novas empresas que procuram localizações mais baratas que as da periferia do novo aeroporto de Alcochete.

Com este Plano de Reconversão parece-me que a ideia inicial de qualificar a zona, de criar uma nova Expo, como chegou a ser anunciado, está cada vez mais longe, pelo menos a avaliar pela forma como nos propõem a ocupação do terreno.

Tomei a liberdade de enviar o link deste blog para o e-mail do Sr. Presidente da Câmara do Barreiro porque não quero que me acusem de estar a criticar e a duvidar das intenções da autarquia ou da administração do Quimiparque (a quem mando o link do blog desde o início), sem lhes dar o direito de resposta se assim o entenderem.

A resposta, qualquer comentário, referência, o que seja que façam chegar ao blog do BARREIROXXI será publicada na íntegra. O objectivo é discutir, num lugar acessível a todos, a qualquer hora, o que não foi discutido nas diversas sessões públicas onde as dúvidas dos presentes encontravam a retórica argumentativa e convincente do discurso optimista do Prof. Augusto Mateus.

Está em jogo o futuro de todos nós e dos nossos filhos por isso há que concretizar, apresentar exemplos e não esconder nada. Só se vive uma vez e a vida das pessoas é mais importante que o lucro das empresas de construção civil e das mediadoras imobiliárias.


Senhores meus, minhas senhoras, está nas nossas mãos não sermos espectadores mas actores. Cabe-vos a vós escolher o lugar que pretendem ocupar. Eu já escolhi. Esta solução não me serve, não acredito nela. É demasiado rebuscada e para mim evidente que a montanha se prepara para parir um rato.

Do sempre vosso
Captain Jack

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

E o Quimiparque, já está a arder?

Na última postagem escrevemos, sobre as conclusões a que a equipa do Prof. Augusto Mateus chegou para a reconversão do Quimiparque.

Vimos que Augusto Mateus propõe a divisão do actual parque empresarial em três zonas, das quais, apenas a primeira escapa à inclusão de habitação. Trata-se da zona que designou como Zona A e para onde pretende deslocalizar o actual porto de descarga de produtos sólidos da Atlanport e, em simultâneo, alojar um terminal de carga e descarga de contentores.

Já me parece estranho que, estando prevista para esta zona a TTT cujo tabuleiro passará a 20metros de altura, inviabilizando deste modo a utilização do Mar da Palha, como local de movimentação e fundeamento de navios em espera, se pretenda também lá fazer chegar navios porta contentores, cruzando-se em simultâneo com os de passageiros que demandam, a partir de Lisboa, o Seixal, o Barreiro e o Montijo, para além dos habituais navios tanque que descarregam combustível na LBC-Tanquipor.

E tudo é mais estranho quando se assiste à movimentação das forças da autarquia contra a AP - Amoníaco de Portugal, SA e a Fisipe – Fibras Sintéticas de Portugal, SA, que tão depressa atacam estas empresas com base na poluição que desenvolvem e do perigo que podem constituir para as populações as suas actividades como logo de seguida se lhes pede (EXIGE-SE-LHES!) que não encerrem as fábricas para não causar desemprego e ao mesmo tempo se aceite de bom grado ver, paredes meias com a vila do Lavradio, instalações portuárias que, todos sabemos, podem movimentar cargas de vária natureza, incluindo resíduos.

Que é feito do velho chavão de “devolver o rio à cidade”? Nesta zona já não é preciso devolver nada? Será isso só para a zona ribeirinha onde se quer cobrar taxas de construção?

Na Zona B admitem-se amontoar os materiais contaminados de outras áreas do Quimiparque, para depois os cobrir de vegetação e assim constituir uma barreira verde, natural.

Então a movimentação, transporte e deposição destes materiais não são nocivos para a saúde? Não serão estas tarefas susceptíveis de contaminar, por acção do vento e durante o seu transporte, as áreas envolventes? E como é que solos carregados de materiais nocivos deixam de ser nocivos quando depositados mais longe do “novo centro”? Só porque ficam mais perto da periferia e ficam escondidos com relvinha?

Quando se define a Zona B como “Zona de actividades económicas diversificadas, incluindo as actividades económicas actualmente instaladas, com exclusão das indústrias não compatíveis com meio urbano que serão deslocalizadas, eventualmente para a zona A” e se continua dizendo que é uma “Zona de charneira entre a zona A e a zona C, de usos mais tipicamente urbanose nela se admitemactividades mistas qualificadas, baseadas no conhecimento e na criatividade, serviços às empresas e às famílias e uma percentagem limitada de habitação” não vos parece, Prof. Mateus e Arqº Salgado, que temos aqui uma grande salganhada?

E quando falam em empresas com usos tipicamente urbanos referem-se a que tipo de empresas? Estabelecimentos comerciais …, consultórios médicos …, restaurantes …, estabelecimentos de consumo …, bancos…? Será uma bomba de gasolina, no vosso entender compatível com usos urbanos? E uma serralharia de alumínios, ou uma oficina de bate-chapas e pintura? E uma instalação de carpintaria e marcenaria, uma pequena instalação de fabrico de detergentes, uma oficina de montagens eléctricas e instrumentos, uma oficina gráfica, uma empresa de limpezas industriais, um estúdio de gravação e uma tipografia, são compatíveis com usos tipicamente urbanos? Não seria bom concretizar com alguns exemplos para que todos pudessem perceber melhor o que propõem?

E como vai coexistir “uma percentagem limitada de habitação” com uma instalação de produção de plásticos e de materiais de poliuretano ou de fibra de vidro? Ou com uma pequena indústria de fabrico de condutas e componentes para AVAC?

Mas surpreende-me também quando escrevem que “As actividades que se prevêem para esta zona estão na linha das que se encontram actualmente na zona devendo haver um esforço institucional no sentido de promover a instalação de actividades mais qualificadas, baseadas no conhecimento e na criatividade”.

Então em que é que ficamos? Mantemos as que estão? Atraímos outras melhores mais modernas, limpinhas e mais qualificadas? Metemos tudo ao barulho...?

Como poderão coexistir as empresas mais qualificadas, por exemplo um estúdio de cinema e televisão ou um laboratório de electrónica com uma serralharia de alumínios? Uma clínica com uma empresa produtora de rações para animais? Uma empresa de reciclagem de radiografias com um restaurante? Alguém se está a esquecer de ordenar o existente e depois partir para mais altos voos ou é impressão minha?

Curioso é também a proposta para o Bairro das Palmeiras, que fica no limite da Zona B, paredes-meias com a zona de habitação por excelência (... ou de habitação para as excelências).

Quanto ao Bairro das Palmeiras nem uma palavra. A requalificação urbana não entra aqui, até porque será estabelecida a ligação directa ao Lavradio pelo interior do Quimiparque, precisamente pela linha que divide as Zonas B e C e, desta forma, o Bairro das Palmeiras ficará escondido dos olhares. Ora todos sabemos que o que a vista não vê …

por último a Zona C (“C” de Casas e Casinhas, Construção, Centros Comerciais, etc …).

A Zona C é aquela destinada a habitação, Comércio e Serviços. Perspectiva-se para esta zona “qualificação urbana, com as actividades mais nobres, incluindo habitação, comércio e serviços” Quais? O Prof. Augusto Mateus e o Arqº Salgado apresentam um Plano de Reconversão e continuam sem concretizar nada. Dêem-nos um exemplo para podermos perceber o que entendem por actividades nobres – Hospitais de Cirurgia Cardio-Vascular, Software Houses ou Fábricas de Relojoaria e Roupas de Autor?

Sabem, no entanto, dizer o que não querem nesta zona.

E não querem “as actividades industriais e de armazenagem actualmente existentes”, o que nos leva a constatar que apontam a porta da rua à Sovena (ver anterior postagem para perceber a dimensão e importância desta empresa).

Em sua substituição propõem-se alcançar “melhor qualidade do espaço público e do edificado e a instalação de equipamentos e serviços públicos âncora que a dinamizem e que criem novos postos de trabalho”, garantindo que a “sua concretização passa pela qualificação da frente ribeirinha, pela criação de espaços públicos bem dimensionados, permitindo, através da sua malha viária resolver alguns dos constrangimentos hoje existentes no centro da cidade”.

(Que bonito … tem todos os chavões que nos são familiares nos últimos tempos – qualificação da frente urbana, espaços públicos bem dimensionados - e chegam mesmo a dizer-nos ser necessário criar uma malha viária para resolver o trânsito caótico do Barreiro, mas apontam como única solução uma ligação pela Rua da CUF, uma via existente, de 6 metros de perfil transversal, sem passeios, a desembocar, pelo interior do parque empresarial, no Lavradio.

Pelo menos o MasterPlan do Arqº Miguel Correia fazia propostas concretas, no que à malha viária diz respeito…

Mas a Zona A não se esgota nestas propostas de Habitação, Comércio e Serviços.

Para esta zona o Plano de Reconversão chega mesmo a chamar-nos a atenção para o facto de que “Uma das operações fundamentais para a criação de centralidade nesta zona é a transferência do terminal fluvial de passageiros para o actual terminal de carga (ATLANPORT) e a mudança do traçado do MST de forma a servir o novo terminal fluvial”.

Mas isto só não chega e Augusto Mateus/Risco deixam-nos a certeza que “O novo centro a criar contempla, nas imediações do novo terminal fluvial, uma grande praça urbana e uma grande praça de água. A avaliação de pormenor da contaminação dos solos e águas subterrâneas permitirá eventualmente que a função da praça de água possa ser mais ambiciosa, permitindo a entrada de barcos de recreio de grandes dimensões”.

Isto é bonito ... não concretizam nem propõem uma solução para o actual caos viário do Barreiro, mas não se inibem em acenar-nos com um cenário idílico onde nem faltam os veleiros a passear pela Av. Alfredo da Silva.

Mais grave é a questão de escala.

Proponho-vos que olhem para a figura ao lado, onde se sobrepôs ao cais da Atlanport, a actual estação fluvial e respectiva zona de parqueamento.

Cabe? Que espaço ocupa? E ainda faltam a grande praça urbana e a grande praça de água …


Mas, admitindo que estes projectos são possíveis (quando Deus quer o Homem pode!), será correcto desmantelar um equipamento construído há uma dezena de anos, como é o caso da estação fluvial do Barreiro, sem que ela tenha sido ainda rentabilizada, só porque dá mais jeito para um novo Plano Urbano?

Somos um país tão rico que nos possamos dar ao luxo de demolir o que ainda não está obsoleto só para não adaptarmos a concepção às limitações existentes e, de um ponto de vista que eu considero egoísta, gastarmos milhões que pertencem aos contribuintes para erguermos o monumento à mesma megalomania que construiu estádios que agora se encontram vazios?

Meus senhores, senhoras minhas, este capitão já não consegue aturar ideias de gente que gastou os últimos trinta anos a fazer-se ouvir, pagos a peso de ouro, mas sem mostrarem resultados práticos que não sejam este estranho modo de destruir primeiro sem nada fazer a seguir. É o Parque Mayer style, o Feira Popular Fashion ou mais recentemente o encerra maternidades way-of-life que nos tem deixado a todos mais pobres e pessimistas.

É tempo de trabalhar senhores meus, minhas senhoras, vamos fazer pela vida que o patrão precisa que o ajudemos a pagar o nosso ordenado, mas prometo-vos que a próxima postagem não irá demorar tanto como esta e irá apresentar-vos os modelos em que se basearam Augusto Mateus e sua equipa – Barcelona 22@ e Dublin Docklands – para que possam julgar por vocês se os modelos se podem/devem aplicar ao Quimiparque.

Até lá, despede-se este sempre vosso

Captain Jack

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

… e quem levar este Plano de Reconversão do QUIMIPARQUE …

(leva também este jogo de lençóis, este faqueiro de prata e três edredons!)

A nossa história começa em Setembro de 2007, já no fim das festas populares que durante o mês de Agosto acontecem um pouco por todo o país, quando os feirantes que nos vendem faqueiros de prata e lençóis de cama que nos deixam os pés destapados regressam a casa, uns de camião vazio outros nem por isso.

É também nesta altura que, tostados do Verão ou já com o peso das saudades de quem deixou a família na aldeia da serra, se regressa ao trabalho, ainda com o desejo de prolongar o período de lazer e descanso.

Outros, no entanto, aproveitam o Verão, época em que o país pára quase por completo para, talvez no sossego da cidade vazia, se tornarem mais produtivos que no resto do ano.

Foi assim com o Plano de Reconversão do Quimiparque, senão atente-se nas datas:
. Setembro de 2007 – a empresa Risco, SA apresenta o seu estudo intitulado “Quimiparque – Uma estratégia de Desenvolvimento Urbanístico”;
. Setembro de 2007 – a empresa Augusto Mateus & Associados, Lda apresenta o seu estudo intitulado ”Estratégia de Desenvolvimento Empresarial e Urbano do Barreiro”;
. Setembro de 2007 – datado de 21 deste mês, a Câmara Municipal do Barreiro apresenta o relatório correspondente à 2ª fase do “Diagnóstico estratégico e prospectivo – estratégia de desenvolvimento urbano dos terrenos da Quimiparque” realizado pelo Risco a pedido da Câmara Municipal do Barreiro e da Quimiparque, em articulação com o estudo do gabinete Augusto Mateus e Associados “Uma estratégia de ‘reindustrialização’ para o Barreiro como alavanca do seu desenvolvimento urbano competitivo e da valorização do Quimiparque” – (gosto particularmente das plicas na palavra reindustrialização);
. Setembro de 2007 – O Prof. Augusto Mateus apresenta outro relatório, este intitulado “Desenvolvimento Empresarial e Urbano do Barreiro: Estratégia e Plano de Acção”;
. 29 de Setembro de 2007 – Apresentação pública, no Auditório Augusto Cabrita, do Plano de Reconversão do Quimiparque.


Como é bonito constatar que, no calor do Verão suavizado pelo aparelho de ar condicionado, se produzem tantas páginas de ideias, sobre matéria tão importante como o futuro da vida dos 4000 trabalhadores que operam nas cerca de 300 empresas do Quimiparque.

Como é bonito constatar que, de repente, se decide sobre o futuro de uma área que, ocupando 10% da área do Concelho do Barreiro, passara por variadas propostas e estudos desde 2001, viu ser mandado para o balde do lixo um Masterplan que demorou anos a elaborar (e sofreu a contestação do PCP quando era oposição – ver http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=2413 e também http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=2545).

Foi vontade de terminar a saga que consumiu anos e recursos, humanos e materiais, (muitas dezenas de milhares de contos, segundo se consta, das contas bancárias da Quimiparque), ou outros interesses o que, num final de Verão, fez com que tudo se desenrolasse a velocidade vertiginosa, quando o PDM ainda está em estudo (dizem…!) e o Fórum Barreiro já havia começado a ser construído, mesmo sem ter acessibilidades definidas nem infraestruturas concluídas?

Vontade de dizer mal!”, “Este rapaz é ruim e não vai longe!” – dirão uns – “Má-língua de quem não gosta do Barreiro!”, “Isto é coisa do partido …” – dirão ainda outros.

Como andam curiosos …! Não, meus amigos, o Captain Jack não necessita de directrizes de líderes partidários, utiliza a sabedoria que Deus lhe deu e recusa-se a pôr palas nos olhos para catalogar todas as ideias em termos politico-partidários. Não escondo que o antepassado deste “Plano de Reconversão”, o célebre “Masterplan”, era, na minha opinião, um conjunto de bonitos desenhos que definiam volumes, na sua maioria desproporcionados e inexequíveis só para justificar a ganância (em espanhol significa Lucro) da especulação imobiliária.

Tinha contudo a virtude de definir acessibilidades que não partiam em dois o Quimiparque mas antes o potenciavam (ou não tivessem estas sido estudadas e propostas pelo CISED do Prof. Nunes da Silva – esse mesmo, um dos que levou o aeroporto para Alcochete).

Mas desenganem-se, senhores meus, minhas senhoras, que tanta produção em Setembro de 2007 não foi espontânea nem fruto de trabalho aturado e súbito. Os mais atentos que, como eu, seguem estas coisas de “Masterplans” e “Planos de Reconversão” cá da quinta, sabem que quando a equipa do Arqº Miguel Correia desenvolveu a sua proposta consultou um documento intitulado “Renovação Urbanística no Barreiro – Para um modelo urbano de Desenvolvimento Avançado” patrocinado pela Câmara Municipal do Barreiro e elaborado pela empresa … Risco, SA.

(Ah, Fernando, Fernando, agora é que vinha mesmo a calhar um dos teus “E esta, hein?!”)

O Masterplan foi apresentado no princípio de 2005 mas o estudo consultado, e acima referido, havia sido encomendado no último mandato autárquico da CDU, antes de esta perder a Câmara para o PS, pelo então presidente que contava com as ideias do Arqº Manuel Salgado para dar uma ajudinha nas eleições que se avizinhavam.

As coisas não correram de feição à CDU, como todos sabemos, que pagou pelo marasmo do concelho em quase trinta anos de poder e abriu portas a que o PS namorasse a Quimiparque, SA, para que esta pudesse desenvolver o seu Masterplan.

Novas eleições, novo castigo aos autarcas que prometeram e não foram capazes de cumprir e o PS deu, de novo, lugar à CDU, com um elenco de candidatos que ficou tão surpreendido por ganhar como o PS por ter perdido.

Talvez porque tardassem a chegar as ordens e directrizes da Soeiro Pereira Gomes, o Masterplan foi andando pelos corredores da Câmara Municipal, empurrado de secretária para secretária, de acerto em acerto, discussão em discussão até que se extingue de vez para dar lugar ao “Plano de Reconversão do Quimiparque” (agora numa versão paga pela Quimiparque, sem torres eólicas nem indústrias de produção de energia limpa, mas mantendo e até ampliando as áreas para habitação..., comércio e serviços).


Ora é precisamente a proposta que é apresentada em 29 de Setembro de 2007 que me deixa completamente baralhado uma vez que da leitura do relatório-Diagnóstico do Prof. Augusto Mateus algumas conclusões parecem ser incontornáveis:

1) A indústria foi a mola impulsionadora da transformação da vila e do seu tecido social, de forma positiva;
2) O crescimento da vila deu-se no sentido da aproximação do local de trabalho que era a fábrica e não o contrário;
3) Foi o desempenho industrial que esteve na origem do aumento do número de habitantes, do crescimento e elevação da vila a cidade, pela importância que esta adquiriu;
4) É também Augusto Mateus que nos diz que “ Para que uma região seja competitiva, deverá ter, tanto um nível elevado de produtividade (…) como uma quantidade satisfatória de postos de trabalho ocupados (…)” para, conclui “criar os empregos que permitam mobilizar os recursos humanos disponíveis”;
5) Assume-se no diagnóstico feito que “O Concelho do Barreiro, revelando um volume de entradas inferior ao volume de saídas, ou seja, registando um saldo de emprego de sinal negativo (…)” corre o risco de se transformar numa cidade dormitório, como Massamá, Rio de Mouro, Amadora e tantas outras na zona de Lisboa (esta comparação com estas localidades é da minha responsabilidade, não de Augusto Mateus);
6) Conclui Augusto Mateus que o êxodo da população se dá por falta de emprego, que diminuiu rapidamente com o desmembramento da CUF/Quimigal e da CP no Barreiro;
7) Estuda o nível de formação escolar dos habitantes do Barreiro para chegar à conclusão que 56.9% dos barreirenses possuem o 2º ciclo da escolaridade ou superior, 12.9% dos quais são mesmo detentores de curso médio ou superior (acima da média nacional que é de 11.5%);
8) Relativamente ao tecido empresarial 9% das empresas da península de Setúbal situam-se no Barreiro bem assim como 8% do emprego, dando ao concelho o lugar de 4º maior exportador do distrito;
9) A páginas 91 e seguintes do seu relatório-diagnóstico Augusto Mateus refere a perda de importância do tecido empresarial do Barreiro como gerador de emprego, registando um comportamento negativo para depois dizer que “se torna óbvio que o Barreiro necessita urgentemente de potenciar a sua dinâmica de iniciativa empresarial”;
10) As actuais excelentes condições quer infraestruturais quer de sinergias internas geradas pelo Quimiparque, para atrair ainda mais empresas que as 300 que já estão instaladas, de entre as quais 3 das 5 maiores do concelho, em termos de empregabilidade, são enunciadas nas páginas 110 a 119 do mesmo relatório.

Perante estas conclusões seria de esperar que o Prof. Augusto Mateus defendesse a manutenção deste território com a melhoria das condições existentes e não, como parece, fazer destas tábua rasa e transformar o Quimiparque num território dividido em três zonas com características distintas:

Zona A – a nascente do canal da Terceira Travessia do Tejo (TTT)
Zona de predominância de actividades logísticas e industriais de médio porte, articulada com a actividade do Porto de Lisboa e caracterizada por dispor de boas ligações aos sistemas de transporte marítimo/fluvial, ferroviário e rodoviário. Esta zona inclui actividades industriais em laboração, que se admite venham a ser desafectadas a médio prazo e incluirá novas actividades industriais dentro dos parâmetros ambientais legalmente exigíveis.

Zona B
Localiza-se a poente do canal da TTT e integra ainda o loteamento industrial SALIS PARK, já construído e será separada da zona de logística pesada por um corredor verde. Este poderá aproveitar a modelação do terreno para reduzir o impacte visual da ponte e, ainda, para servir de depósito de materiais contaminados a remover de outras zonas.
Terá actividades económicas diversificadas, incluindo aquelas actualmente instaladas, com exclusão das indústrias não compatíveis com meio urbano que serão deslocalizadas, eventualmente para a zona A.
Constituirá uma zona de charneira entre a A e a C, de usos mais tipicamente urbanos, admitindo-se actividades mistas qualificadas, baseadas no conhecimento e na criatividade, serviços às empresas e às famílias e uma percentagem limitada de habitação.
A zona B integra o parque empresarial e os espaços comerciais existentes, com as eventuais alterações do espaço exterior do Feira Nova decorrentes da implantação da nova ponte.
As actividades que se prevêem para esta zona estão na linha das que se encontram actualmente na zona devendo haver um esforço institucional no sentido de promover a instalação de actividades mais qualificadas, baseadas no conhecimento e na criatividade.
O Bairro das Palmeiras, a integrar nesta zona, deve ser objecto de um projecto específico de reestruturação.

Zona C
Zoa de qualificação urbana, com as actividades mais nobres, incluindo habitação, comércio e serviços. Faz a transição para a cidade consolidada e deve integrar uma das três novas centralidades propostas, na zona mais qualificada do ponto de vista da localização (ver planta da proposta).
Exige a retirada de todas as actividades industriais e de armazenagem actualmente existentes.
A sua concretização passa pela qualificação da frente ribeirinha, pela criação de espaços públicos bem dimensionados, permitindo, através da sua malha viária resolver alguns dos constrangimentos hoje existentes no centro da cidade.
Zona mista, residencial e de actividades económicas qualificadas, comércio e serviços. Faz a transição entre a zona de actividades económicas B e a cidade antiga, constituindo uma extensão desta última.
Deve promover-se a melhor qualidade do espaço público e do edificado e a instalação de equipamentos e serviços públicos âncora que a dinamizem e que criem novos postos de trabalho.

Onde está aqui então contemplado a prioridade de criar emprego para atrair habitantes?

Onde está, afinal, a potenciação da dinâmica da iniciativa empresarial do Barreiro, de que fala Augusto Mateus na página 99 do seu diagnóstico?

E as condições propícias ao desenvolvimento empresarial existentes no Quimiparque e que Augusto Mateus refere nas páginas 110 a 119 do seu relatório, para que serviram? Para nos dizer o que se vai desperdiçar a seguir, como o que já desperdiçaram os diversos autarcas e governantes que o país tem conhecido nos últimos 30 anos e dos quais Augusto Mateus também fez parte?

E como explica o Prof. Augusto Mateus que depois de escrever que “existem hoje malhas urbanas na cidade que apresentam elevadas percentagens de fogos vagos, designadamente nas zonas da freguesia do Barreiro e Lavradio”, portanto muito perto do Quimiparque, venha agora propor uma zona C dedicada para edifícios de habitação?

E porque razão urbanística se enclausura a zona empresarial a manter, cercada por zonas urbanas habitacionais, sem possibilidade de permitir que a primeira possa cresça e se expanda?

É ajudar a criar emprego qualificado, para absorver os cerca de 12.9% de barreirenses detentores de cursos médios ou superiores, a deslocalização proposta da fábrica da Sovena, que “emprega 170 trabalhadores, possui uma capacidade diária de refinação de 270 toneladas de girassol e de 190 toneladas de soja, está preparada para embalar 30 toneladas de óleo e 35 toneladas de azeite por dia e tem espaço de armazenagem para 8500 paletes"?

Quantos centros comerciais, atafulhados de Lacostes, Pull&Bears, Timberlands, Gatos Pretos, Dolce e Gabanas, Zaras, Mangos, H&Ms, Fnacs, Continentes, Senhores Frangos à Guia, Comidas a Peso, MacDonald’s, Pizzas Hut, Vodafones, e outros tantos como estes, serão necessários para compensar a perda de emprego que a destruição do Quimiparque nos irá trazer?

Certamente Augusto Mateus não dará resposta a estas questões não porque não o pudesse fazer. Todos conhecemos o seu dom de palavra e poder de argumentação, mas porque outros irão responder por ele, escondendo os seus interesses atrás de documentos legais.

Provavelmente dirão que “Entre as opções estratégicas territoriais para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, o PNPOT refere expressamente: ‘Reabilitar os espaços industriais abandonados, com projectos de referência internacional nos de maior valia em termos de localização, em particular nos que permitam valorizar as qualidades cénicas do Tejo' e 'Reabilitar os estuários do Tejo e Sado e as frentes ribeirinhas urbanas’”.

Irão concerteza afirmar que “Nas opções para o desenvolvimento do território para a Área Metropolitana de Lisboa, o PNPOT propõe ‘desenvolver programas integrados de renovação dos espaços industriais abandonados com soluções que criem novas centralidades e referências no espaço urbano” e “revitalizar os centros históricos’”.

Ou mesmo recordarão que “O Plano Director Municipal (PDM) do Barreiro, de Novembro de 1993, ainda em vigor, classifica esta área como ‘área industrial em reconversão’, referindo que ‘embora degradada detém um elevado potencial de renovação e desenvolvimento, podendo vir a constituir um vector importante do desenvolvimento do concelho’. O PDM estabelece que as opções de desenvolvimento e renovação desta área devem traduzir-se num plano de urbanização e define as orientações genéricas para esse plano, nas quais se inclui a ‘redefinição global do uso do solo tendo em vista a progressiva substituição das ocupações degradadas e obsoletas e a instalação de novos usos que melhor rentabilizem este espaço’”.

Eu também lhes direi o que penso, sem precisar de citar documentos antigos, alguns com 14 anos de existência, perfeitamente desactualizados e já “ilegalmente em uso legal”, como é o nosso PDM, mas isso será na próxima semana, porque o texto hoje já vai longo e vocês têm que trabalhar para que os detentores dos altos cargos de gestão pública possam ter dinheirinho para os gastos.

Até lá senhores meus, minhas senhoras fiquem com toda a consideração e respeito deste que se assina

Captain Jack

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Plano de reconversão do QUIMIPARQUE

(O diagnóstico de Augusto Mateus – parte II)

Na continuação do seu relatório o Prof. Augusto Mateus aponta ainda outros factores que ajudam a caracterizar a realidade do Barreiro:

“(…)
Do ponto de vista da especialização produtiva, verifica-se que a actividade económica no Barreiro se encontra muito centrada em quatro sectores: comércio, indústrias transformadoras, construção e alojamento e restauração.

No comércio, estão 39% dos estabelecimentos e 31% dos empregados por conta de outrem deste concelho. Nas indústrias transformadoras, estão 8% dos estabelecimentos e 21% do empregados por conta de outrem. Na construção, estão 12% dos estabelecimentos e 11% do emprego por conta de outrem. Finalmente, no alojamento e restauração, estão 15% dos estabelecimentos e 9% do emprego por conta de outrem.

Fazendo uma análise mais fina às indústrias transformadoras, verifica-se que o Barreiro apresenta uma especialização relevante na indústria química e uma presença assinalável na indústria metálica, na indústria do papel e da madeira, nas indústrias alimentares e na indústria dos materiais de transporte.

Esta especialização decorre, em larga medida, dos fortes e continuados investimentos que a CUF e a REFER efectuaram, durante uma grande parte do século XX, em muitos dos terrenos que actualmente integram o Quimiparque.

Tomando por referência a tipologia desenvolvida pela OCDE em finais da década de 90 que permite classificar os sectores industriais segundo o seu grau de intensidade tecnológica, verifica-se que o Barreiro possui uma especialização produtiva muito centrada em sectores de média-alta tecnologia.

Do ponto de vista da dinâmica empresarial recente, o concelho do Barreiro apresenta uma evolução muito tímida e comparativamente pior do que a média da Península de Setúbal e do que a média do país como um todo.





Fruto desta performance, o concelho do Barreiro perdeu importância relativa em termos de localização empresarial na Península de Setúbal e em Portugal como um todo. O peso relativo do total das empresas existentes no concelho do Barreiro na Península de Setúbal, por exemplo, caiu de 9,3% para 8,6%; o peso dos estabelecimentos diminuiu de 10,2% para 9,2%; o peso do emprego por conta de outrem reduziu-se de 9,3% para 8,1%.
Este comportamento é, por si só, negativo.



Neste quadro, torna-se óbvio que o Barreiro necessita urgentemente de potenciar a sua dinâmica de iniciativa empresarial. Assumindo um cenário em que, a breve prazo, o Barreiro consegue melhorar significativamente a sua capacidade de atracção para novas empresas e novos investimentos, achamos que este concelho terá condições, desde logo, para reforçar a sua tradição na indústria química e metálica, sobretudo nos segmentos mais leves e limpos do negócio.


Do ponto de vista das saídas de mercadorias para o exterior, o Barreiro posiciona-se como o quarto concelho mais exportador da Península de Setúbal, embora a grande distância do principal pólo exportador da região onde se encontra inserido que é Palmela.
(…)”

Mais adiante no relatório ficamos a saber que, enquanto o Barreiro é responsável por 3,7% do total das saídas (expedições e exportações) da Península de Setúbal, Palmela responde por 58,1%, Setúbal por 22,3% e o Seixal por 10,9%).

Feito o levantamento sócio-económico avança o Prof. Augusto Mateus para a análise do Quimiparque no Contexto do Barreiro, apresentando, em primeiro lugar uma caracterização geral do parque empresarial do Barreiro, dizendo:

“(…)
O Quimiparque, no Barreiro, é uma enorme infra-estrutura de acolhimento empresarial que pertencente à Quimiparque – Parques Empresariais, SA, uma empresa portuguesa que tem por vocação principal gerir e desenvolver parques empresariais. Actualmente, com 17 anos de existência, gere dois grandes parques empresariais em Portugal (um no concelho do Barreiro e outro em Estarreja) e detém ainda interesses num outro em Vendas Novas.



Em 1977, após a sua nacionalização (da CUF) e a dos outros dois produtores portugueses de adubos, operou-se uma fusão que deu origem à Quimigal. Esta empresa passou, assim, a dispor de dois outros complexos industriais – um dos quais situado em Estarreja. A actividade empresarial da Quimigal passou por diferentes fases ao sabor de conjunturas económicas, comerciais e sociais, até que, já sociedade anónima, foi alvo de uma reestruturação de que resultou a autonomização dos seus diversos negócios em empresas, parte das quais foram seguidamente privatizadas.

Foi neste quadro que, em 1989, a Quimiparque, SA, foi constituída. Esta empresa foi criada para gerir e potenciar os avultados bens patrimoniais em terrenos e edifícios anteriormente detidos pela Quimigal, bem como a completa rede de infra-estruturas que integravam os complexos industriais do Barreiro e de Estarreja, entretanto convertidos em parques empresariais. Com o início da actividade da Quimiparque em 1990, já com 40 empresas instaladas, começou-se a desenvolver um trabalho de recuperação de edifícios, renovação de arruamentos e equipamentos e reabilitação de áreas degradadas, melhorando, de forma sustentada, o meio ambiente e as condições de funcionamento das instalações. Este trabalho permitiu que se mantivessem em laboração as empresas que já estavam instaladas antes da constituição da Quimiparque, SA, e possibilitou, ao longo do tempo, o estabelecimento, nos seus dois parques empresariais, de mais de 400 novas empresas. Em consequência, assistiu-se à recuperação de mais de cinco milhares de postos de trabalho, facto que contribuiu de forma importante para atenuar os efeitos do emprego perdido com o decorrer do processo de reestruturação e reconversão que esteve na sua génese.

A localização (do Quimiparque) beneficia da existência de dois portos (um para carga geral e outro para movimentação e armazenamento de produtos líquidos) e de uma relativa proximidade ao aeroporto de Lisboa e mesmo à fronteira com Espanha. A partir dela, existem ligações rápidas à capital por auto-estrada e via rápida através das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama e pela frota de catamarãs da Soflusa, encontrando-se em fase de estudo a ligação ao Seixal através de uma ponte sobre o rio Coina. As ligações ao norte do país agilizam-se com a A13 (Marateca-Santarém). A futura ponte do Carregado-Benavente promete alargar ainda mais o leque de acessibilidades.

No seu interior, o Quimiparque é atravessado por uma vasta rede rodoviária asfaltada e por caminho-de-ferro com ligação à rede ferroviária nacional. Possui redes gerais de energia eléctrica, gás natural, água, telecomunicações, iluminação e esgotos.

Actualmente, o Quimiparque alberga 295 empresas dos mais diversos ramos da indústria, comércio e serviços, incluindo diversas escolas e centros de formação, designadamente a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro (pólo do Instituto Politécnico de Setúbal). No entanto, prevê-se para breve o desaparecimento de algumas destas empresas ou a sua deslocalização para outras zonas do concelho num processo gradual que entronca numa incontornável requalificação da antiga área industrial da Quimigal/CUF. O Quimiparque reanimou a antiga zona da Quimigal, tornando-a rentável através da adaptação das instalações para pequenas e médias empresas. Criou infra-estruturas e demoliu edifícios de antigas empresas, procurando respeitar sempre o património histórico.

Ao nível do acolhimento empresarial, o parque disponibiliza espaços muito variados para a instalação de novas empresas, desde pequenos escritórios até médias e grandes superfícies multi-usos ou armazéns, com dimensões que variam entre poucos metros quadrados e os milhares de metros. Edifício Tejo, Edifício Sado, Edifício Guadiana, Edifício Mondego, Edifício Douro, Edifício Arrábida, Edifício Almansor, Edifício Côa, Escritórios, Edifício 153, Espaços de Aluguer Temporário e os Estaleiros são as denominações usadas para identificar e referenciar as várias estruturas de acolhimento empresarial existentes no parque.

Finalmente, resta-nos referir o Business Club existente no parque, também designado por Clube de Empresas. É uma das construções que sobressai de entre o património edificado do parque pelo facto de conseguir recriar, numa edificação antiga, devidamente restaurada, uma ambiência gastronómica com o requinte do mais luxuoso escritório. É, portanto, um espaço acolhedor, que confere um pano de fundo ideal para a concretização de importantes negócios.


Outro dos activos que não pode deixar de ser elencado ao já de si extenso património da Quimiparque é o SalisPark. O SalisPark é um espaço localizado na zona nascente do parque, com uma ampla frente para Lisboa e que integra 55 lotes para uso comercial, industrial e de serviços. O loteamento empresarial SalisPark compreende uma área total de lotes para venda de 52.500 m2, à qual corresponde uma área de construção de 45.800 m2, de arquitectura moderna e que oferece a opção à empresa-cliente de adquirir o lote com ou sem construção.

Para além do património infra-estrutural de que dispõe, e que tende a ser valorizado em virtude dos projectos que o rodeiam, o PEB inventaria ainda um singular património histórico-museológico. Fruto da actividade da antiga CUF, este património situa-se no que é hoje o PEB e distribui-se pelos seguintes pólos:






- Bairros Operários da ex-CUF (1908-1932). De toponímica característica, integrados a partir de 1989 no Quimiparque. Sobressaem os edifícios da Torre do Relógio e da Casa da Cultura




Mausoléu de Alfredo da Silva (1944). Monumento funerário em granito, com 12 metros de largo e 7 de altura, projectado pelo arquitecto Luís Cristino da Silva, com baixos-relevos do escultor Leopoldo de Almeida.





Casa-Museu Alfredo da Silva (1907). Contém espólio proveniente da Fábrica Sol, em Alcântara. O 1º andar era utilizado por Alfredo da Silva quando este se deslocava ao Barreiro.






Museu Industrial (1935) e Centro de Documentação. Veio, em Dezembro de 2004, valorizar o património museológico da Quimiparque através um espólio constituído por equipamentos industriais de índole diversa e um acervo documental e iconográfico considerável, numa central eléctrica desactivada (edifício característico dos anos trinta, recuperado e criteriosamente adaptado).



O Quimiparque coloca à disposição das empresas e empresários um conjunto de soluções que assentam em várias linhas de orientação.

Primeira, flexibilidade e versatilidade contratual. Os contratos de cedência dos espaços são bastante flexíveis, no que diz respeito à sua duração, e são efectuados com um mínimo de formalidades, permitindo a instalação rápida do cliente. Por outro lado, os contratos de cedência de espaço prevêem, adicionalmente, modalidades alternativas ao aluguer como a disponibilização de lotes para venda.

Segunda, boa qualidade das infra-estruturas de base, assentes na oferta de uma completa rede de estradas e ruas asfaltadas, além de rede interna de caminho-de-ferro (ligado à rede nacional), redes eléctricas, de telecomunicações, de abastecimento de águas e esgotos. No que diz respeito a infra-estruturas portuárias, o Quimiparque dispõe de dois portos (um de carga geral e outro de movimentação de líquidos). Dispõe ainda de uma rede interna de gás natural.

Terceira, proximidade dos serviços prestados pela Quimiparque. O parque possui bombeiros privativos 24 horas por dia e serviço de portarias e vigilância estática. Um serviço de ambulâncias está também à disposição dos clientes. Por outro lado, a localização dos órgãos de gestão da Quimiparque, SA, nos próprios parques proporciona aos clientes um apoio constante no que se refere à sua instalação e funcionamento, bem como no acompanhamento dos procedimentos necessários para o licenciamento industrial (ou outro) do cliente.

Quarto, caixa postal na estação de correios instalada gratuitamente numa das entradas. Existem, para além dos já referidos, outros serviços de apoio, tais como o Clube de Empresas e o anfiteatro do edifício da Administração.

Quinta, variedade de serviços prestados por clientes já instalados. Desde o momento em que nasceu, foi pretensão da Quimiparque, SA poder disponibilizar todo o tipo de serviços dentro dos seus parques através de clientes instalados. Neste momento, pode-se afirmar que esse desiderato foi já atingido visto haver praticamente todo o tipo de serviços indispensáveis a um parque moderno, fornecidos por empresas-clientes, desde o hipermercado ao ginásio, passando pelos serviços médicos, banco, estação de serviço, reparação de viaturas

Sexta, diversidade de espaços disponíveis. O Quimiparque disponibiliza, para aluguer, espaços cobertos e descobertos numa grande gama de dimensões e tipos. O seu portfólio compreende espaços que vão desde escritórios com algumas dezenas de m2 a pavilhões com vários milhares, podendo anexar a estes últimos espaços livres descobertos para estacionamento ou armazenagem ao ar livre. Entretanto, desde 1997, o Quimiparque tem vindo oferecer espaços cobertos com dimensões normalizadas de 170/180/200 m2, já equipados com as instalações eléctricas e sanitárias e prontas a utilizar, para armazéns e oficinas. O facto de estes espaços terem origem em modulação de grandes edifícios já existentes permitiu a utilização de ruas internas cobertas dando acesso a esses módulos.


Esta combinação de factores tende a facilitar sinergias que acabam por sustentar, em parte, o crescimento das empresas acolhidas. A diversidade de actividades desenvolvidas pelas empresas-clientes neste parque, a sua concentração por zonas, a boa rede de comunicações existente e o elevado número de pessoas que lá trabalham tornam este parque empresarial numa comunidade empresarial que pode fomentar sinergias que se podem revelar um dos principais instrumentos para o seu desenvolvimento



Em concreto, o peso das empresas ligadas ao sector terciário aumentou significativamente, passando de 60% para 74% do total, totalmente a expensas da redução do peso das empresas industriais, cujo peso caiu e 40% para 26%. Trata-se de uma tendência que está em linha com a conhecida tendência de terciarização da economia.

(…)”

Aqui, terminada a apresentação do Quimiparque, o Prof. Augusto Mateus e a sua equipa lançam o seu olhar sobre a cidade e o concelho do Barreiro, caracterizando-os deste modo:
“(…)

O concelho do Barreiro possui, actualmente, cerca de 79 mil residentes. Um pouco menos de metade destes reside nas freguesias da Verderena e do Alto do Seixalinho, as grandes zonas urbanas imediatamente a sul da linha-férrea. A outra metade da população distribui-se, grosso modo, pelas malhas urbanas do Barreiro mais antigo, pelas zonas de Santo André, pelo Lavradio e ainda por Santo António da Charneca.

à escala interna, as malhas urbanas da cidade encontram-se consideravelmente espartilhadas e com difícil fluidez, quer pela presença de importantes barreiras físicas - e mesmo cognitivas -, tais como o corredor ferroviário ou a própria Quimiparque (de acesso restrito), quer pela existência de diversas zonas e terrenos progressivamente ‘vazios’ e sem actividade.

De facto, apesar de geograficamente situado numa posição central do estuário do Tejo (o que decerto motivou as primeiras decisões de localização industrial há cem anos atrás), o Barreiro nunca conseguiu libertar, de forma fluida, a sua população, a sua economia e a sua sociedade local de uma série de “malhas” encarceradoras, resultantes da conjugação da vitalidade das suas indústrias locais com os ritmos fluviais de e para Lisboa, e com a sua própria estrutura urbanística.

Nos primeiros anos já do novo século, enquanto que praticamente todos os concelhos da Península de Setúbal têm registado sinais positivos das taxas de crescimento da população (principalmente na sua componente migratória), o concelho do Barreiro é o único da sub-região com uma tendência oposta, evidenciando saldos naturais e migratórios negativos.

Além disso, a par desta desvitalização demográfica e económica (não obstante os valores de urbanidade bem consolidados na cidade, tanto ao nível das vivências sociais e culturais das gentes locais, como na provisão de elementos públicos como as redes de equipamentos colectivos), foi-se igualmente sucedendo uma tendência de desvitalização urbanística. Em consequência, existem hoje malhas urbanas da cidade que apresentam elevadas percentagens de fogos vagos, designadamente nas zonas da freguesia do Barreiro e do Lavradio.



Com o objectivo de produzir uma sistematização analítica e prospectiva clara, que permita enquadrar os espaços centrais para a formulação desta estratégia e as principais condicionantes que lhe estão subjacentes, desenvolve-se, neste ponto, um diagnóstico focalizado numa subdivisão da área norte do concelho do Barreiro em três territórios distintos:

Zona A: Territórios a nordeste da península do Barreiro (zona a leste da futura eventual linha TGV, incluindo a zona urbana do Lavradio);
Zona B: Centro norte da península do Barreiro (zona a oeste da futura linha TGV, a norte do corredor ferroviário e até à malha urbana da cidade);
Zona C: Zona histórica e consolidada da cidade, zona ribeirinha da foz do rio Coina, freguesias da Verderena e do Alto do Seixalinho.

A Zona B é uma zona classificada no actual PDM quase exclusivamente como zona industrial, embora nos últimos anos tenham ocorrido importantes alterações nas suas diferentes funcionalidades. Com excepção da malha urbana do Bairro das Palmeiras, junto ao corredor ferroviário, todo este território encontra-se sob a administração da Quimiparque. Nesta zona, existe um número significativo de empresas industriais em pleno funcionamento desde há longa data e, nos últimos anos, tem ocorrido a instalação de empresas em actividades ligadas sobretudo à armazenagem e a serviços diversos. Não obstante, múltiplos terrenos têm vindo a ficar desocupados devido ao encerramento de empresas, particularmente nas áreas ribeirinhas e ainda nas zonas mais a poente (junto às malhas urbanas consolidadas).


Dentro desta zona, encontramos, desde logo, uma Zona Ribeirinha a nascente sem qualquer actividade, com importantes problemas de contaminação. Dentro desta, a Zona Pa acumulou durante décadas elevadas quantidades de resíduos de pirite resultantes da produção de ácido sulfúrico que têm vindo paulatinamente a ser usados como aditivo pelas cimenteiras nacionais, perspectivando-se a sua erradicação em cerca de 10 anos.
Na Zona Pb, por seu lado, regista-se a presença de uma elevada quantidade de resíduos de zinco ao ar livre junto ao rio, o que configura uma situação reconhecida como muito delicada.

A Zona Ribeirinha mais a poente é onde se encontra o cais industrial, área ainda com alguma actividade industrial e portuária, mas igualmente já com uma série de terrenos desafectados de qualquer dinâmica. Não obstante, nesta zona situam-se duas importantes empresas em actividade, a Atlanpor e a Sovena.

A Atlanpor, instalada em terrenos concessionados para exploração pela APL e pela Quimiparque na Zona Pd, é aparentemente uma empresa detida em partes iguais pelo Grupo Mello e pela Siderurgia Nacional - Produtos Longos. Tem a sua actividade centrada na recepção e armazenagem de sucata, sobretudo para abastecimento de empresas do Seixal existentes nos antigos espaços da Siderurgia Nacional. Também recebe granéis, embora de forma relativamente residual. As actividades de recepção de sucata provocam importantes problemas ambientais. A construção do ramal ferroviário da Siderurgia com ligação ao Porto de Setúbal a partir de 2008/2009 e futuramente à plataforma logística do Poceirão poderá dispensar as necessidades de recepção de sucata no Barreiro.

A Sovena é uma empresa de referência no mercado ibérico de óleos e azeites pertencente à Nutrinveste (Grupo José de Mello), um dos principais grupos agroalimentares nacionais que detém marcas reconhecidas como Fula, Oliveira da Serra, Andorinha, Vêgê, Frigi, 3ás, Salutar e OliSoja. A fábrica da Sovena no Barreiro (Sovena Barreiro) constitui a maior unidade de refinação e embalamento de óleos e azeites a laborar em Portugal. Emprega cerca de 170 trabalhadores, possui uma capacidade diária de refinação de 270 toneladas de girassol e de 190 toneladas de soja, está preparada para embalar 630 toneladas de óleo e 35 toneladas de azeite por dia e tem espaço de armazenagem para 8.500 paletas. Está instalada em terrenos do Quimiparque, parte arrendados e parte com direitos de superfície de longo prazo.

As zonas mais a sul envolvem terrenos de utilização muito diversa. Por um lado, desenvolveu-se uma área de dinâmicas comerciais e de distribuição, onde estão instaladas duas importantes unidades de distribuição, o Feira Nova do Barreiro (uma unidade de grande dimensão do Grupo) e o Mestre Mako.

A poente destas unidades, uma outra zona importante onde se encontram instalados os Transportes Colectivos do Barreiro. Em muitos terrenos desta envolvência, situam-se diversas instalações empresariais. É também nestas zonas onde está localizado o SalisPark, uma área de múltiplas actividades económicas, que dispõe actualmente de um leque relativamente amplo de terrenos e de armazéns para venda e para aluguer.

Aqui existe, igualmente, uma muito interessante zona museológica e de carácter histórico-cultural (Museu Industrial). Finalmente, mais a poente, situa-se uma pequena zona residencial - o Bairro das Palmeiras -, bairro com frágeis características urbanísticas, sociais e culturais, necessitado de uma profunda intervenção ou (na hipótese de requalificação integral dos espaços envolventes) de um projecto integrado de realojamento.

Por fim, as áreas a sul e a poente do cais industrial podem classificar-se como áreas de transição para as malhas urbanas da cidade - e vice-versa -, já há diversos anos em processo de difícil definição, e como tal aguardando, com maior evidência, a clarificação das respectivas direcções estratégicas. Efectivamente, se nestas zonas se podem ainda encontrar importantes unidades industriais, tais como a Quimitécnica e a Quimitécnica Ambiente, por outro lado desenvolvem-se projectos de desenvolvimento urbano e de ampliação da cidade para Nascente, entre os quais o de maior visibilidade será o Fórum Barreiro, grande espaço comercial e de serviços.

A Quimitécnica, SA, é uma empresa vocacionada para a gestão e tratamento de resíduos industriais, designadamente tratamento físico-químico de resíduos com cianetos, crómio e soluções contaminadas com metais pesados. Resultou da antiga Divisão de Química Inorgânica e Metais da Companhia União Fabril (Grupo CUF).

A Quimitécnica Ambiente, SA, é uma empresa criada em 2001 que resultou da transformação da área de negócio homóloga da sua empresa-mãe (a Quimitécnica, SA) numa entidade juridicamente autónoma. Encontra-se integrada no Grupo CUF, estando vocacionada para a gestão global de resíduos, a realização de ensaios físico-químicos e a prestação de serviços especializados em áreas relacionadas com a redução e valorização de resíduos.

(…)”

Não querendo ser fastidioso tentei reduzir em algumas páginas de texto o excelente relatório diagnóstico da Augusto Mateus & Associados, Lda que, ao longo de 149 páginas nos apresenta um Quimiparque, em alguns aspectos, desconhecido para alguns de nós.

Falta contudo ver o que nos propõe este economista e a sua equipa e dizer-vos o que penso eu sobre tudo isto. Fá-lo-ei mas só depois de vos identificar com as bases da proposta que a Quimiparque e a Câmara Municipal do Barreiro se preparam para dar como sendo a solução redentora para esta cidade que definha há trinta e tantos anos

Na próxima semana, se esta gripe mo permitir, senhores meus, minhas senhoras, cá estarei de novo. Até lá, sempre vosso

Captain Jack